As primeiras expedições para o Monte Roraima

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Evidentemente os Pemons foram os primeiros a explorar o Monte Roraima, mas a história do Tepuí mais famoso começou — para nós — apenas no século XIX, quando os europeus chegaram para desbravar o mundo perdido — até então.

Em 1838, Robert Hermann Schomburgk iniciou o estudo do Monte Roraima e detectou que a cúpula era inacessível — equivocadamente, é claro. Já em 1842 decidiu retornar com o seu irmão Richard e juntos fizeram descobertas significativas, principalmente sobre a botânica e, a partir disso, o Monte Roraima foi apresentado ao mundo. Os dois irmãos suspeitavam que naquela região pudesse abrigar vida pré-histórica, já que o lugar era totalmente isolado do mundo e principalmente porque os Tepuís preservaram inúmeras espécies de plantas. A conclusão foi a seguinte: “Se as plantas foram preservadas, por que não os dinossauros?” Com essa ideia, o escritor Arthur Conan Doyle escreveu o livro “O Mundo Perdido”, dando ao Monte Roraima uma aura de mistério e romance.

No século XIX o acesso ao Monte Roraima era feito pela Guiana, através dos rios Mazaruni e Rupununi, mas mesmo assim andava-se muito pelo meio da Floresta Amazônica. As expedições duravam meses e muitas vezes fracassavam, devido às inundações da região. Mesmo quando não havia enchentes, a grande distância dificultava o transporte de suprimentos, já que teriam que levar o suficiente para dezenas de semanas.

Apesar das dificuldades, alguns exploradores conseguiram observar o Monte Roraima de perto, mas ainda longe de atingirem o cume. Em 1864, Karl Ferdinand Appun, um botânico alemão chegou próximo do mundo perdido, mas desistiu de tentá-lo subir e seguiu suas explorações pelo norte do Brasil. Em 1872, Charles Barrigton avistou o Roraima de longe e sugeriu o acesso por meio de balão, o que de fato nunca ocorreu.

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Em 1877, outros exploradores (Flint, Edgington, McTurk, Boddam-Etham e David Burke) tentaram descobrir o acesso à cúpula do Monte Roraima, sem sucesso.

Entre 1879 e 1884 um ornitólogo chamado Henry Whitely fez diversas viagens ao Monte Roraima e em uma das expedições observou uma borda inclinada, colada ao grande paredão vertical. Na ocasião, Whitely tentou formar uma trilha, mas não teve êxito. Siedel, um colecionador de orquídeas alemão chegou no mesmo ano de 1884, quando se encontrou com Everard Im Thun e Harry I. Perkins e então decidiram tentar alcançar o cume onde Whitely havia sinalizado.

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Não deu outra, o caminho foi razoavelmente tranquilo para os exploradores, que tiveram dificuldades apenas com as pedras escorregadias e também com algumas fendas, mas conseguiram atingir a parte superior do Monte Roraima. A cena foi inesperada, por todos os lados viam um cenário descontroladamente extraordinário, rochas de formas nunca antes vistas, parecendo até desafiar todas as leis da gravidade. Entre as rachaduras do chão, encontraram córregos, cachoeiras, piscinas e pântanos com vegetação baixa. Nem uma grande árvore foi vista, e também nenhum grande animal.

A partir da primeira ascensão, novas expedições começaram a ocorrer e novos estudos se fizeram no topo do Monte Roraima. Por volta de 1898, McConnel e Quech fizeram coleções científicas significativas e em 1911, Koch Grunberg, um antropólogo chegou para trabalhar entre a população local e a partir daí o Monte Roraima “se declarou” aberto para todo o mundo.

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Em 1927, o ilustre brasileiro Marechal Rondon visitou o Monte Roraima para demarcar a fronteira brasileira e no mesmo ano, uma extensa expedição científica foi liderada por G.H.H Tate, no platô do Roraima, a maior descoberta foi o encontro com o sapinho negro, espécie encontrada apenas ali.

Desde então o Monte Roraima têm recebido estudiosos, cientistas e as mais variadas classes de pesquisadores e não é raro encontrar notícias de novas descobertas e teorias extraordinárias sobre a formação do grande Monte Roraima.

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Rafael Kosoniscs tem 32 anos, é paulista, publicitário, guia de turismo, blogueiro e estudante de jornalismo. É viciado em viagens de mochilão — seja em cidades ou em meio à natureza. Tem o montanhismo como paixão, sonha em dar a volta ao mundo e escrever um livro.


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