Relato – Monte Roraima

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Subir o Monte Roraima é o sonho de todo mochileiro que curte aventura. Durante o ano de 2013 era esse o roteiro mais desejado e sonhado por mim. Planejei e encontrei pessoas com o mesmo objetivo. A viagem aconteceu!  O relato abaixo baseia inteiramente no que senti e presenciei, as impressões aqui contidas são particulares e cada um obtém sensações e óticas diferentes no Monte Roraima.

Procuro neste relato apenas descrever o trekking e evidenciar os detalhes. As informações de como contratar agência, o que levar, como ir, quanto gastar e etc, estão em tópicos no post-índice:

Veja aqui: Post Índice – Monte Roraima

 

O grupo

O grupo foi formado a partir de um fórum no Mochileiros.com. Hayder e Jeander são dois mineiros de Belo Horizonte e estavam organizando uma expedição para o Monte Roraima e procuravam mais pessoas para encarar o desafio. O intuito era criar um grupo reduzido e com pessoas comprometidas e socialmente amigáveis. Acabei sendo o terceiro a confirmar presença na equipe e, dias antes da viagem, Edison também bateu o martelo. O grupo se formou dessa maneira.

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Edison Ferraz: Paulista, 26 anos, desenvolvedor web front-end.

Hayder – Takenaka San: Mineiro, 30 anos, Fisioterapeuta.

Jeander Leite: Mineiro, 34 anos, Analista de Sistemas.

Eu – Rafael Kosoniscs: Paulista, 29 anos, Publicitário e Blogueiro.

 

05/10/13 – 1º dia – O início do trekking – Paraitepui ao Rio Tek

Pulei da cama às 8h15, arrumei as tralhas – dividi o que ficaria na cidade e o que levaria para o trekking – e parti junto com meus companheiros para a porta da agência backpackers. O dia estava muito ensolarado e logo pela manhã já sentia o bafo quente, típico da região do Gran Sabana. Sentei na própria lanchonete da agência para tomar café da manhã e o pedido foi simples: pão com ovo mexido e coca-cola. O jipe partiu de Santa Elena de Uairén às 9h45 e cheguei à aldeia de Paraitepui às 11h30, essa comunidade indígena é da etnia Taurepang (leia-se Taurepã). Fiquei esperando aproximadamente 1 hora, tempo necessário do guia e carregadores se organizarem para iniciar o trekking.

Durante o tempo de espera fiquei observando à comunidade, caracterizada com diversas casas de pau a pique e cobertas com a tradicional piaçava – pelo menos era o que parecia ser. Os índios carregavam na expressão facial toda a sua cultura, era mesmo de se admirar. Crianças corriam em pleno sol das 12h e os jipes serviam de obstáculos para elas se esconderem em suas brincadeiras.

Fiz os últimos preparativos e a última refeição – pão com presunto e queijo. O começo da caminhada foi debaixo do sol do meio dia, mas não liguei muito para isso, estava ansioso demais para deixar o sol me desanimar, além do mais, tinha passado protetor solar de forma abundante, estava tranquilo.

Já observava desde o início da trilha o gigante ao fundo – toda aquela paisagem me animava bastante, não por ser somente um trekking, mas por ser o trekking do Monte Roraima. O tepuí era meu objeto de desejo há 1 ano e eu estava ali, começando aquela tão sonhada caminhada.

O trajeto fluiu muito bem, os paredões do Monte Roraima e do Kukenan roubaram à atenção durante todo o trekking, era impressionante admirá-los no horizonte. Parei poucas vezes e as pausas eram mais para tirar fotografias e contemplar a paisagem, o cansaço em nenhum momento se fez presente nessa primeira etapa, até porque a subida é praticamente inexistente nesses 12 km iniciais.

Avistei o acampamento por volta das 17h, e fui recebido pelos mosquitos carnívoros – o repelente é mais que necessário, mas somente nos dois primeiros dias. No final da tarde fui ao rio Tek tomar banho e nessa hora enxerguei o ”drama” que eu e todo o grupo passaria: a água era bem gelada. Mas deu para tomar um banho sem grande sofrimento.

Voltei para o acampamento praticamente de noite e logo em seguida jantei sob a luz de lanternas, o relógio apontava ainda às 18h20. Após o jantar não havia o que fazer, embora os mosquitos tivessem dado trégua, não existia qualquer coisa a se inventar. Era hora de dormir e o sono chegou bem rápido.

 

06/10/13 – 2º dia – Rio tek ao acampamento base

Acordei as 05h40 e o dia já estava razoavelmente claro. Minhas costas doíam e fui obrigado a levantar já nesse horário. Ao abrir a barraca dei de cara com o fabuloso Kukenan, foi uma cena perfeita – pensei em voz alta: ”estou realmente aqui?”. Saí da barraca e ouvi uma conversa baixa na barraca do Jeander e do Hayder, mas nem ousei qualquer comunicação. Espreguicei-me já no lado de fora e não consegui parar de admirar toda aquela beleza agigantada à minha frente, foi uma sensação incrível! O sol ainda não havia dado seu ar da graça, mas a iluminação que se fazia naquele ambiente era inspirador, a minha vontade já era calçar a bota e continuar a caminhada.

O Léo, nosso guia, já estava com o fogareiro ligado e preparando nosso café da manhã, um pão de arepa – típico alimento indígena feito à base de farinha de milho e também um saboroso chá.

Enquanto ninguém do meu grupo dava sinal de vida visual, fui até as margens do rio Tek escovar os dentes, cerca de 200m do acampamento e quando retornei ao acampamento vi o Hayder fora da barraca.

Aproximei-me e falei:

– Bom dia. Dormiu bem?

– Não cara, não dormir nada bem. Senti minha pedra no rim a madrugada inteira e não vou conseguir prosseguir – respondeu o Hayder

– Como assim, cara? – perguntei surpreso.

– Já falei com o Léo e vocês vão prosseguir normal, mas eu encontro vocês no final do trekking, em Santa Elena – falou com segurança e tristeza.

– Nem sei o que dizer, mas você sabe a dor que está sentindo, mas sinto muito pelo que está acontecendo – confidenciei.

Após isso, ele foi conversar com o Léo e eu fui ver o que Jeander tinha a dizer sobre o ocorrido, e da mesma maneira lamentamos o fato. Não havia o que fazer! Edison também ficou surpreso com tudo aquilo e evitamos comentar algo, era uma situação embaraçosa para todos, principalmente porque estávamos em um grupo pequeno e fechado, seria uma perda estranha em um início de trekking.

Tomei o café da manhã e o pão de arepa me surpreendeu, achei aquela comida deliciosa e deu para perceber que sustentava bastante, percebi ali que aquilo iria segurar a onda até a hora do almoço. Era hora de arrumar as tralhas e iniciar o trekking do novo dia.

Já na saída para a caminhada o Hayder decidiu tentar mais um dia e abortou – naquele instante – de querer voltar para Paraitepuy. Seguimos adiante sem nenhuma baixa no grupo e o relógio apontava as 7h35.

Com instrução do guia Léo, era necessário atravessar o rio Tek apenas de meias, porque as pedras eram muito escorregadias. Nesse dia o trajeto era de 10 km e subiríamos 700m. Segundo Léo, este era o dia mais cansativo, já que os 5 km da segunda etapa exigiram bastante resistência.

Após 45 minutos encontrei outro rio, o Kukenán. A travessia deste é um pouco mais complicada, mas não se faz necessário tirar a bota. Basta atenção, muita atenção. Saltitar entre as pedras é o maior desafio e um escorregão é fatal – mentira. Só é trágico pelo fato de que provavelmente se molharia inteiro ou grande parte de corpo. Vale à atenção, é claro. Cruzado o rio, Léo ordenou a primeira parada e os mosquitos apareceram para dar as boas-vindas, o repelente foi muito bem usado naquele momento e também foi um bom incentivo para continuarmos a caminhada. Só deu tempo para molhar o rosto e encher a garrafa d´água.

Hayder seguiu na frente totalmente introspectivo e fiz o que tinha que fazer: respeitar o seu momento. Eu não sabia o dor que ele estava sentindo e também não queria ser inconveniente ao ponto de dar tapinhas nas costas motivacionais, tinha que esperar para ver o que aconteceria, nada mais.

Após 1h30 de trilha o sol castigava bastante e o protetor solar era mais que essencial na bagagem, tive que passar com bastante frequência. Conversei bastante com Jeander durante o trajeto e o assunto foi bem descontraído, como deveria ser. Edison também conversou bastante e a caminhada foi regada de muito papo furado.

A segunda etapa do trekking foi a mais puxada e cada um seguiu seu ritmo. Eu estava fascinado com aquela paisagem e o paredão se tornava cada vez mais nítido, era mesmo emocionante. A caminhada tornou-se um pouco mais pesada e acabei me distanciando do grupo e segui na frente, não por pressa para chegar, mas por anseio de querer descansar. Após 5 horas de caminhada desde o início da trilha avistei o acampamento base, fiquei contente! Fiz um rápido reconhecimento da área e encontrei os carregadores e vi também nossas barracas sendo montadas.

Em pouco tempo todos chegaram, e não somente eu, mas o grupo todo estava muito exausto e precisando descansar. Hayder deu a ideia de irmos para o banho antes do grupo “Roraima Adventures” chegar, já que era uma equipe de aproximadamente 15 pessoas, a concorrência na “cachoeira” iria ser enorme, com toda a certeza.

Desci uma pequena trilha com meus companheiros e avistei uma pequena piscina natural. Naquele lugar não somente eu, mas todos estavam fadados ao sofrimento – a água era escandalosamente gelada. Eu amarelei, assumo!

Tomei banho esfregando a água com as mãos, sem entrar propriamente na água. Hayder tomou coragem e entrou, mas Edison não hesitou e ficou completamente dentro da piscina, somente com o pescoço de fora. Para mim era impossível fazer algo do tipo naquele momento. Sem chance, os ossos doíam muito!

Retornei ao acampamento e tive um ótimo almoço, foi uma refeição fria, com saladas e atum. Deliciosa! Durante a tarde deixei a preguiça tomar conta de mim e deitei um pouco na grama para tentar dormir, mas sem sucesso. Jeander, Hayder e Edison preferiram ficar dentro da barraca. O sol já era mínimo e, naquele instante, decidi dar uma volta pelo acampamento onde “descobri” um excelente mirador com uma vista incrível para o Kukenán, a vista era deslumbrante e chamei todos para verem o lugar. Fiquei ali praticamente até o sol se pôr, tirando fotos e contemplando aquela cena rara – pelo menos aos meus olhos.

O jantar não demorou a sair e a escuridão era completa às 18h. O dia era longo, mas a noite chegava depressa também. Antes de dormir, Jeander abriu o rum e bebemos um pouco e, devido aos remédios, apenas Hayder não compartilhou da singela comemoração alcoólica. Após isso, cada um procurou seu descanso.

 

07/10/13 – 3º dia – Rumo ao topo do Monte Roraima

A primeira noite mal dormida aconteceu. Tive horas repletas de sonhos incompletos e estranhos, foi mesmo um sono perturbador. Nessa noite as dores nas costas começaram às 2h00 e permaneceram até a hora de levantar, às 5h30.

Ao sair da barraca vi uma cena bem linda: o sol na ponta do Kukenan, paisagem incrível. Foi um momento inspirador e acabou com qualquer possibilidade de mal humor pela noite mal dormida. Hayder e Jeander já estavam acordados, mas ainda permaneciam na barraca. Edison, meu companheiro de barraca já arrumava as tralhas para o dia que se iniciava.

Do outro lado do acampamento estava o grupo do Roraima Adventures, uma equipe barulhenta, dividimos o acampamento com eles desde o rio Tek. Pelo fato do meu grupo ser bem menor, iniciávamos a trilha mais cedo e consequentemente descongestionada; o que era perfeito. Fiquei imaginando a chateação que passaria naquele grupo, já que tenho total apreço ao silêncio quando estou em contato com a natureza. Agradeci por estar com um grupo reduzido de 04 pessoas. Definitivamente estava no lugar certo e com as pessoas certas!

Iniciei com meus companheiros a subida às 7h10, neste dia peguei sombra praticamente por todo o trajeto, ao contrário dos outros dias. O trecho inicial era bastante íngreme, chegando a ter inclinação de 75 graus em determinadas partes, foi praticamente uma escalaminhada, mas esse drama não durou muito tempo e logo a trilha tornou-se apenas trilha e subida, aliás, muita subida.

O ponto alto do trajeto foi o primeiro contato com o paredão, confesso que naquele instante fiquei até um pouco sentido, era a realização de um sonho sentir o Monte Roraima com as mãos. Naquele ponto também foi o local de encher a garrafa de água, e por ali permaneci alguns minutos desfrutando de um prazer interior muito grande e dividindo aquela sensação com a Amazônia, foi um momento muito gratificante.

No meio do trajeto passei por um local onde havia acontecido um desmoronamento de pedras e naquele ponto pude ter um contato bem mais próximo com o paredão. Hayder se debruçou de uma maneira muito sincera sobre as pedras e naquele momento imaginei: deve estar pedindo à natureza para que o ajude, já que as pedras nos rins eram a preocupação diária – e muita dor. Emiti naquele momento bons pensamentos para que ele pudesse continuar a jornada até o final. O Monte Roraima é místico e cheio de energia, não poderia dar errado! Tinha fé que daria tudo certo.

A subida não é 100% constante, há trechos de pequenas descidas, o que é torturante, porque toda descidinha era sinal de mais subida, assim seguiu a trilha. Passei por um trecho conhecido como Paso de Las Lágrimas, que é uma cachoeira que se forma no paredão, ótimo lugar para dar uma refrescada e também apreciar. Foi uma cena muito bonita. A Cachoeira é sazonal e em meses de chuva deve ficar incrível.

Fiz uma parada com a galera faltando aproximadamente 15 minutos para chegar ao topo, aproveitei o momento para tirar algumas fotos e contemplar a paisagem que se formava às minhas costas; o paredão era incrível e roubava qualquer outra atração que pudesse existir, era uma vista nunca antes apreciada e totalmente exótica. Não era raro me ouvir dizer: “cara, olha pra isso”. Eu estava fascinado, aliás, todos estavam.

Cheguei ao topo do Monte Roraima aproximadamente 4 horas após sair do acampamento base. No topo fui cumprimentado por Léo, nosso guia – e todos se cumprimentaram. Aproveitei o momento para observar o que estava ao meu redor. Não tinha como deixar de registrar aquele momento, tirei a máquina da mochila e guardei um pouco do que estava vivenciando.

Uma pausa para enfatizar uma coisa:

O Monte Roraima se diferencia de outros trekkings de montanha por alguns motivos:

1º não se sabe o que vai encontrar no topo;

2º a vegetação e a formação geológica é única naquele lugar;

3º Ao contrário de outras subidas em montanhas, o cume do Monte Roraima não é o fim da expedição, é apenas o começo da exploração.

Após a subida, o grupo seguiu por aproximadamente 25 minutos até o Acampamento Principal. Vale ressaltar que todos os acampamentos no topo do Monte Roraima recebem o nome de Hotéis, cada um com a sua devida denominação. Alguns acampamentos são destinados às equipes de maior número de pessoas, já outros cabem poucas barracas, mas todos ficam bem abrigados e protegidos da chuva.

No acampamento tive um almoço muito saboroso, o cardápio foi sopa e pão. Não foi uma refeição para encher a barriga totalmente, mas o suficiente para matar a fome e ficar bem disposto. De um modo geral as refeições eram assim, sem muita fartura, mas sempre ficava bem alimentado e eu tinha sempre a impressão que comia apenas o que realmente deveria comer.

Após o almoço Hayder e Edison tiraram um cochilo. Eu e Jeander partimos para dar uma volta pela área e parecíamos crianças ao descobrir um lugar novo. O “quintal” do acampamento parecia um labirinto e a paisagem dispensava comentários. Fiz questão de contemplar aquele lugar e enfatizei várias vezes: “estamos no topo do Monte Roraima”. Aproveitei o momento para tirar algumas fotos, como sempre.

Por volta das 15h30, Léo chamou a todos para conhecer à Jacuzzi, local de banho e também um dos pontos turísticos do Monte Roraima. Foram aproximadamente 40 minutos de caminhada até chegar à piscina natural, a reação foi de surpresa, evidentemente. As piscinas eram pequenas, mas inversamente proporcionais à beleza, o visual era incrível e extremamente convidativo ao banho. O grupo permaneceu aproximadamente 1 hora por ali e aproveitei também para lavar algumas roupas. A água da jacuzzi é extremamente gelada, mas dessa vez entrei totalmente. Não tem como ficar muito tempo desfrutando e relaxando, é totalmente diferente de uma água gelada de cachoeira. Essa foi a minha impressão. Mas tive que entrar!

De volta ao acampamento pendurei a roupa em um varal improvisado e fiquei aguardando a janta sair. Durante a refeição o relógio apontava às 18h20 e não sei porque, mas me lembrei ironicamente do metrô de São Paulo. Fiz esse comentário com os colegas e Jeander, mineiro de Belo Horizonte também comentou – “Belo Horizonte também deve estar um bocado muvucado”. Rimos.

A noite era a mais fria de todas até o momento, até porque era o primeiro anoitecer no topo do Monte Roraima. Terminamos o jantar, tomamos um gole de rum e dormimos.

 

08/10/13 – 4º dia – Acampamento Quati

A noite foi como as anteriores: desconfortável – mas já estava me acostumando. A caminhada do dia era simples, apenas 11 km em terreno “plano”, sem subidas e descidas.

Estava bem disposto e todos do grupo pareciam estar também. Meus dedos já estavam maltratados e segui o conselho de Edison, fiz eles virarem múmias com esparadrapos. Problema resolvido!

Era o primeiro dia de trekking no topo do Monte Roraima, neste dia Hayder aparentava estar melhor, Jeander estava como sempre, tranquilo como todo bom mineiro. Edison também manteve o bom humo, aliás, é difícil ficar de outro jeito no topo do Monte Roraima. A caminhada nesse dia começou às 8h e o objetivo era chegar ao acampamento Quati, que estava ao norte do tepuí, no lado brasileiro.

O grau de dificuldade era baixo e não houve dificuldade alguma. O momento era de curtir o Monte Roraima e de apreciar os detalhes. O trekking no topo do Roraima chega a ser divertido, porque em quase nenhum momento se anda em linha reta, todo o percurso é uma espécie de labirinto, já que existem inúmeras fendas entre as rochas e se faz necessário saltitar e desviar sempre. Nesse dia percebi o quanto seria impossível ir sem guia para o Roraima – embora já não seja mais permitido.

O dia estava tranquilo, sol razoavelmente tímido e também com pouco vento. Observar o Monte Roraima amanhecendo em seu topo foi incrível, as formações rochosas nunca antes vistas se agigantavam a minha frente. Fiquei fascinado.

Uma pausa para falar sobre o acampamento

O acampamento Quati era o “hotel” que eu mais queria ver, havia assistido a reportagem do globo repórter e fiquei instigado em conhecer aquele acampamento. A beleza do lugar é mesmo de se espantar, parece uma obra arquitetônica, de verdade. É uma espécie de caverna, com uma entrada alta e larga, mas em seu interior existe uma fenda em seu teto que permite a entrada de luz e um jardim se faz presente abaixo desse feixe. É uma beleza escandalosa. Perdoe-me pelos superlativos, mas é a mais pura verdade.

A caminhada seguiu tranquila, cruzei uma espécie de corredor – uma enorme passagem – e nesse momento Léo informou que o lado esquerdo era Venezuela, o direito Brasil e logo à frente, Guiana. Segui o trekking em solo brasileiro, mas isso é realmente o que menos importava saber, em cima do tepuí tudo é exótico e todos os lados (Brasil, Venezuela e Guiana) são alucinantes.

Imaginei naquele momento a maneira em que o Marechal Rondon fez a divisão territorial. Das duas, uma: Ficou muito feliz por estar ali ou muito “P” da vida por ter que passar por todo aquele perrengue. Na verdade, viajei por alguns minutos pensando nisso.

Outra grande surpresa nesse trajeto foi o encontro com o vale dos cristais, uma cena incrível, sublime e de certa forma espantosa. Imagine um chão repleto de cristais, um grande tapete branco em contraste com as rochas negras do Monte Roraima. Muitos deles pareciam ter sido lapidados de tão perfeitos que eram. Nesse momento pensei em uma amiga, estudante de gemologia. Achei injusto ela não estar ali comigo para presenciar tudo aquilo. Paisagem inesquecível. Coisa de filme!

Léo, o guia da expedição, explicou que já existiram muitos mais, mas que o turismo tem prejudicado bastante aquela região. Um absurdo! Sabe aquele pensamento de que: “vou pegar só um pequeno, não vai fazer falta!”… pois é, de pequeno em pequeno, de turista em turista, muitos cristais foram roubados.

Momento indignação

Infelizmente o vale dos cristais está fadado ao extermínio. No final do trekking existe uma inspeção de malas, mas quem tem o interesse em roubar, consegue sem dificuldade. Não somente eu, mas todos do grupo ficaram indignados com aquilo. Por que tirar um cristal dali? Pra quê? Para enfeitar uma estante? Para colocar em uma gaveta? Fazer um colar? Enfim, o mochileiro tem que ter consciência e sobretudo honrar o título que recebe. Revoltei! A maior lembrança do Monte Roraima é o que se vive por lá, o que se conhece, as pessoas, as paisagens, as fotografias…

Depois do vale dos cristais segui caminhando com o grupo e em poucos minutos avistei o ponto triplo, outra grande atração do Monte Roraima. O nome já diz tudo, é o local da tríplice fronte de Venezuela, Brasil e Guiana. Honestamente da uma sensação muito boa, o fato de estar com o pé em 03 países com certeza vale a comemoração e algumas fotos. Fiquei por ali com o pessoal por aproximadamente 30 minutos, foi bem legal.

Dali para o acampamento demorou aproximadamente 25 minutos, ao chegar vi que o fogareiro já estava aceso e logo mais o rango sairia. Fiquei andando com Edison e Jeander no interior da gruta/caverna e Hayder ficou na barraca, literalmente agonizando de dor com suas pedras no rim. Terrível!

Após o almoço fiquei do lado de fora do acampamento curtindo a paisagem e fazendo alguns apontamentos no meu diário de viagem. Era começo de tarde e o sol já estava mais ameno e o clima estava muito gostoso. O grupo do Roraima Adventures por ser em maior número incomodava um pouco pelo barulho, mas nada que fizesse tirar o foco no que estava escrevendo.

Por volta das 15h, Léo conduziu a gente para o mirador, local bem próximo ao acampamento, uns 15 minutos de distância. Como não poderia ser diferente, a vista era bem linda e ficamos por ali sentados, ora tirando foto, ora fazendo graça. Fomos embora quando começou a escurecer.

Depois do chá da noite, Jeander e Hayder se sentaram em frente a porta da nossa barraca – minha e do Edison – e ficamos conversando um pouco ao som de Eddie Vedder e Tim Maia. Dormi logo depois.

 

09/10/13 – 5º dia – Lago Gladys

Acordei bem, foi a minha melhor noite até o momento no Monte Roraima. O destino daquela manhã era apenas um: o lago Gladys.

O trajeto é curto, apenas 4 km, mas engana-se dizer que o trajeto é rápido e fácil, principalmente se estiver chovendo – como aconteceu com a gente.

O tempo estava razoavelmente nublado, na saída do acampamento estava evidente que faria mau tempo durante o caminho. O lago Gladys fica no lado da Guiana e o trajeto até lá é praticamente dentro de um jardim japonês, isso mesmo, grande parte do caminho é feito dentro de pequenos arbustos, com gramíneas… é bem bonito, aliás, muito bonito.

Em determinada parte do caminho foi uma missão não sujar a bota por completa, diversas vezes se fez necessário atolar o calçado na lama, sem dó. Ao chegar no lago Gladys uma grande frustração aconteceu, o tempo estava péssimo e uma névoa tomava conta do lugar, quase não enxergava 10 metros à minha frente. Fiquei sentado com meus companheiros esperando o tempo abrir, e não é que por apenas 5 minutos isso aconteceu? Foi o tempo que tivemos para tirar foto e olhar com amplitude o lago. Confesso que gostaria de ver aquele lugar com sol, porque nublado não achei tão bonito como pensei que fosse. A verdade é que com sol tudo fica diferente, por lá também deve acontecer a mesma coisa.

O lago Gladys está próximo do paredão – cerca de 400 metros de uma das margens, e também está muito perto dos destroços de um helicóptero que caiu em 98, do Globo Ecologia. Na verdade, nem parece que é um helicóptero, aparenta ser somente sucata de algo indefinido, apenas isso.

Depois do lago segui com todos para a margem do paredão e lá deu medo de verdade. Lá eu enxerguei a beleza, a altura, uma cachoeira e também a morte – era só dar um passo e tudo acabaria. Exageros à parte, é um desafio enorme para quem tem medo de altura, como eu. Mas tinha que ver, tinha que ir. E Fui!

Depois disso tirei algumas fotos ao redor, e fui seguindo o caminho de volta. No retorno para o acampamento Quati uma chuva considerável caiu, mas durou pouco tempo. No Monte Roraima o tempo muda rapidamente, o sol pode dar lugar às nuvens bem depressa.

Ao chegar no acampamento o almoço estava prestes a sair, aproveitei os minutos que tinha para tomar banho. Jeander, Hayder e Edison fizeram o mesmo. A tarde era livre e cada um buscou fazer alguma coisa. Segui para o mirador junto com Edison e Jeander. Hayder preferiu poupar energia e descansar e permaneceu na barraca, com suas dores agonizantes, que doíam em mim apenas de olhar.

Permaneci no mirador por bastante tempo, tirei algumas fotos e consegui naquele momento curtir de uma forma bem íntima o espírito do Monte Roraima. Eram raros os momentos em que podia parar para curtir e sentir o ambiente, sempre havia algo para fazer, conhecer, explorar… Por isso afirmo convicto: para conhecer o Monte Roraima e senti-lo de verdade, opte por uma expedição de no mínimo 07 dias.

Nessa noite fiquei conversando bastante com o Edison e viajamos ao som de Eddie Vedder.

 

10/10/13 – 6º dia – El Fosso, Acampamento Índio e La Ventana

A manhã estava tomada de névoa, enxergava-se bem pouco o horizonte e a paisagem criava um preto e branco natural. O preto era do chão e o branco de toda a neblina. Uma cena nostálgica se formou ali.

Acordei um pouco cansado, mas mantive meu humor normal e não estava nem um pouco de saco cheio de tudo aquilo, ainda queria mais. Nesse dia iria voltar para o lado venezuelano e o percurso era de 11 km.

Durante o caminho Jeander alertou para a gente não se acostumar com a paisagem, tínhamos que aproveitar o tempo inteiro. Ele estava certo.

No trajeto de volta avistamos novamente o ponto triplo, mas seguimos adiante, não tinha sentido passar por ali novamente. Logo adiante, Léo nos conduziu para um dos melhores pontos do Monte Roraima, o El Fosso.

Não sei descrever exatamente o tamanho to El Fosso, mas imagino que tenha aproximadamente 15 m de raio, por aí. É um grande fosso e seu acesso é um pouco complicado e também perigoso. Para acessá-lo se faz necessário atravessar algumas pedras e uma pequena escaladinha, mas da para ir.

Do grupo somente eu desci no El Fosso. Talvez tenha feito isso somente pelo blog, não estava muito inspirado para cair em uma água brutalmente gelada logo pela manhã. Sabe aquela água de isopor de praia? Pois é, ela estava estupidamente gelada e totalmente desconfortante. Mas entrei. E valeu a pena! Entrei gritando e emitindo todos os tipos de sons. Os ossos doíam muito.

Após subir, o grupo já estava pronto para partir. Léo tinha um pouco de pressa pois teríamos mais algumas atrações no dia e não poderíamos perder muito tempo, mas tivemos os minutos necessários para conhecer de forma tranquila e sem arrependimentos.

O destino era o acampamento Índio, um dos menores “hotéis” do Monte Roraima, mas era muito bacana, ficava bem no alto e a vista era ainda mais privilegiada. Ao chegar neste acampamento devorei algumas barrinhas de cereais e aguardei o almoço. A minha barraca estava em um piso totalmente irregular e não havia o que fazer, percebi ali o drama que seria aquela noite, mas resolvi não sofrer por antecipação. Era a última noite no topo do tepuí e tudo que eu não queria era me chatear por nada.

Uma chuvinha começou a cair no início da tarde e fiquei com receio de melar os planos do grupo, mas como tudo é imprevisível no Monte Roraima, um sol tímido apareceu. Nesse momento Léo  nos chamou para ir ao La Ventana, um dos pontos mais visitados e incríveis do topo.

O caminho para chegar ao La Ventana foi bem tranquilo e não passou de 1 hora de caminhada. Quando cheguei com o grupo ao destino começou a chover, aguardei com eles debaixo de uma grande pedra até a chuva passar.

O La Ventana é uma gigante pedra deslocada que abriu uma fenda, parecida com uma janela. Mas a atração maior do local não é propriamente isso, mas sim o enorme mirador e a paisagem que chega a ser até assustadora do Kukénan.

Se existe algum perigo no trekking do Monte Roraima é sem dúvida no La Ventana, mas corre o risco quem quer. Para poder admirar o local mais intensamente é preciso lutar contra o medo e encarar um pequeno desafio. O primeiro deles é pular uma fenda, bem próximo da pedra que forma o La Ventana, um escorregão pode ser fatal, sem exagero.

Senti uma aflição muito grande em vários momentos, principalmente quando Hayder escorregou muito próximo ao buraco e naquele momento a minha espinha travou. Rimos para não chorar, foi tenso! Edison não ousou fazer qualquer tipo de manobra e ficou no canto dele, até porque sua bota não era nada confiável e também o chão estava completamente molhado. É o tipo de lugar muito propício pra dar merda, sabe?

Jeander e eu arriscamos ir bem próximos de uma das margens, mas ao olhar pra baixo tive a maior vertigem da vida, congelei por inteiro. No outro canto havia a melhor atração: o mirador mais bem localizado, que era o local de tirar a foto mais digna no Monte Roraima, pelo menos em minha opinião.

Hayder foi o responsável por tirar todas as fotos, o tempo poderia fechar em questão de minutos e cada um tinha que aproveitar a oportunidade rapidamente. Todos tiveram o seu momento no mirador e também o maior medo até então no Monte Roraima – eu me caguei. Em uma das fotos eu ajoelhei, e não foi apenas para a foto, mas para controlar o medo e me sentir mais tranquilo. Só quem tem extremo medo de altura sabe o quão desafiador é encarar algo do tipo.

Na volta para o acampamento Léo nos conduziu novamente para a Jacuzzi e tomamos um banho rápido, mas fomos surpreendidos por uma chuva forte. Na verdade esse foi o único perrengue no Monte Roraima. O saldo foi uma câmera estragada e um certo mal humor por ter molhado algumas roupas e botas. O dia seguinte já seria a descida e fazer o trajeto com o calçado ensopado não era agradável. No topo do Monte Roraima as roupas não secam e tampouco um par de botas.

Já no acampamento procurei fazer um varal para pendurar as roupas leves, mas usei mesmo as paredes das rochas para pendurar a maioria das peças. Todos fizeram o mesmo. Depois do chá da noite, deitei. Ao contrário das noites anteriores eu não conseguia pregar os olhos e fiquei 3 horas rolando dentro do saco de dormir e pensando um zilhão de coisas. Foi uma noite estranha.

 

11/10/13 – 7º/8º dia – O Retorno

Acordei as 5h40 e notei a movimentação dos carregadores. Era o dia de voltar, o momento de se despedir do topo do Monte Roraima. Talvez pra nunca mais voltar. Não faz sentido voltar duas vezes para determinados locais, acredito que o Monte Roraima esteja nessa lista. O que se vive em seu topo é único e, estranhamente, acho que só deve ser vivido em somente uma oportunidade. Vamos lá, vou tentar explicar:

Lá é tudo diferente, desde a formação geológica quanto à fauna e flora. O trekking para o Monte Roraima te faz ter um choque exatamente por essas adversidades. Buscar o topo do tepuí em uma segunda oportunidade não causaria o mesmo efeito e as impressões da primeira poderia ser re-significadas, entende? É um pensamento extremista, mas é o que conclui durante o trajeto de volta. Quero guardar o sentimento de surpresa, pretendo preservar o que senti de imediato, por conta disso vou ter aprender a lidar apenas com a saudade e as boas lembranças.

Na manhã deste dia eu fui o último a me aprontar, as roupas molhadas e a bota encharcada me desencorajavam a acelerar o processo para partir. Hayder, Jeander e Edison saíram primeiro do acampamento e foram tomar sol bem próximo dali. Fiquei conferindo meus equipamentos e arrumando a mochila de ataque. Léo perguntou se eu estava bem, respondi que sim. Segui para baixo.

No início do caminho de volta não somente eu, mas todos estavam bastante dispostos a voltar para Paraitepuy nesse mesmo dia, local do início e término do trekking. O trecho de retorno é feito em dois dias, do topo ao Rio Tek e de lá para a comunidade indígena. O grupo tinha que plantar essa ideia no guia. Queríamos fazer o trekking de 26 km.

A descida também exigiu bastante, e procurei ir à frente para despedir daquele lugar à minha maneira. Jeander também acelerou o passo e seguimos juntos até o acampamento base. Naquele momento fiquei esperando junto com o mineiro o restante do grupo. Léo perguntou para nós se realmente queríamos fazer os 26 km em um único dia e respondemos que sim. Trato firmado! Não poderia desistir e a logística já estava acertada. Tinha que chegar à aldeia antes do escurecer. Acelerei o passo. Todos seguiram firmes.

A segunda etapa da caminhada foi mais tranquila e sempre me pegava olhando para trás admirando o Monte Roraima. O sentimento de despedida exalava, mas me sentia completamente satisfeito. Meu objetivo e sonho tinham se cumpridos.

Ao chegar no rio Kukenán não resisti e cai pra dentro de uma pequena piscina natural, esperei por ali os demais aparecerem. Eram as últimas horas e naquele momento já enxergava o tepuí bem distante, aproximadamente 13 km.

No acampamento do Rio Tek rolou uma mistura de saladas muito boa. Almocei tranquilo e também já imaginando os 12 km restantes, que seriam feitos debaixo daquele sol de rachar.

Dias antes, Edison deu a ideia de darmos uma contribuição em dinheiro para o todos os carregadores e guia. Era justo e a sugestão foi brilhante. Não tínhamos noção do quanto eles estavam ganhando da agência contratada, mas eram merecedores de uma recompensa extra, sem dúvida. Agradeci a todos em uma pequena demonstração de gratidão. Todos se cumprimentaram. Seguimos a caminhada para a aldeia de Paraitepuy.

Essa última etapa foi a mais cansativa e também uma das mais bonitas. O trecho inicial da trilha – ou o final – dá uma visão ampla do Monte Roraima. É incrível.

Edison estava com bolhas nos pés e caminhava um pouco mais devagar, mas cada um seguia o seu ritmo, sem estresse. Fiz poucas paradas nessa etapa final e os joelhos começaram a sentir um pouco o desgaste. De certa maneira foi loucura resumir 2 dias em apenas 1, mas com certeza valeu a pena. Foi intenso e desgastante, foram 26 km em terreno irregular e no final o sentimento de superação não deixava qualquer dúvida que tinha feito à escolha certa.

Os últimos metros do trekking foram com a presença de todos, e completei a expedição da maneira que iniciei: apaixonado pelo Monte Roraima e com a certeza de que a viagem marcaria. E marcou!

Em uma cabana em Paraitepuy todos brindaram com cerveja o sucesso do trekkking. Hayder pediu a palavra e fez um agradecimento a todos. Léo também homenageou cada membro do grupo e encerramos aquele momento com uma foto e uma salva de palmas.

 

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Rafael Kosoniscs tem 32 anos, é paulista, publicitário, guia de turismo, blogueiro e estudante de jornalismo. É viciado em viagens de mochilão — seja em cidades ou em meio à natureza. Tem o montanhismo como paixão, sonha em dar a volta ao mundo e escrever um livro.


31 comentários em “Relato – Monte Roraima

  1. Rafaela Portela Bezerra

    Sua descrição sobre essa aventura foi a melhor que encontrei até agora. Bem detalhada com fantásticas fotos e dicas essenciais. Minha vontade de subir o Monte apenas aumentou e planejo fazer isso no Carnaval. Qual câmera você usou? Poderia me falar um pouco sobre ela?

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  2. Rafael Cardoso

    Cara, sua expedição pelo Monte Roraima está muito documentada, com dicas importantes. Farei o trekking em menos de 20 dias. Obrigado por compartilhar a experiência, está sendo de grande ajuda.

    Abs!

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  3. Ana Claudia

    Parabens Rafael,

    voce escreve muito bem!

    Em alguns momentos, lendo seu relato, me senti ao seu lado!

    Gratidao em compartilhar de maneira tao simples, clara e bonita sua experiencia no monte roraima.

    gratidao!

    Ana Claudia

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  4. Adriano

    Parabens Rafael. Decidi hoje com um amigo em fazer essa trip em abril2015. Voltarei com certeza no seu blog. Quero viver tudo o q vc viveu q acabei de ler. Realmente, meus parabéns.
    Um abraço. Adriano

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  5. Wivi Dias

    Olá Rafael,
    Estou indo dia 12/11para o Monte Roraima. Pesquisando no Google, encontrei seu depoimento altamente ilustrado e rico em detalhes”. Confesso que meu medo e insegurança, melhoraram bastante, 75% em relação como estava me sentindo. Sua vivência e experiência é sem dúvida uma das melhores encontradas no Goggle.
    Rafael, treino 10 km em dias intercalados, onde caminhonao tem subidas fortes.
    Esse treino é satisfatório para encarar o MR?
    Grande abraço. Valeu!

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    1. Rafael Kosoniscs Post author

      Olá, Wivi! Pode ir tranquila, com essa condição física você conseguirá fazer o percurso com menos sofrimento que os demais. Como dizem por aí: Vai na fé! E obrigado pela visita e comentário. Espero que sua viagem seja incrível. Um abraço

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  6. Ale

    Oi Rafa, eu e uma amiga lemos seu post, tomamos coragem, compramos as passagens e pretendemos começar o trekking no dia 21/11. Eu digo pretendemos pq nesse caso é imprescindivel um grupo, não só por conta do preço mas pq já convivemos o suficiente…rs! Me diz uma coisa: onde exatamente vc encontrou os outros 3 integrantes do seu grupo? Não quero ficar me rifando no mochileiros.com! Tem algum site específico? Abs

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    1. Rafael Kosoniscs Post author

      Olá, Ale. Tudo bem? Fico feliz em ter influenciado na escolha da sua viagem. É um prazer muito grande, de verdade.
      Vamos lá, eu tive a sorte em encontrar fuçando nos mochileiros.com, na verdade acho que foi uma bela cagada. Mas veja só, em Santa Helena vocês encontrarão diversos outros viajantes e com certeza vão se encaixar em algum grupo. Gostaria de poder ajudá-las de forma mais efetiva, mas nesse caso… Para qualquer outra dúvida, grite! Abs

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  7. Ellen Santos

    Caaaaaaara, teu relato foi um dos melhores que já li até o presente momento, estou querendo fazer esse trekking ou no final do ano ou no início do ano que vem, moro em Manaus e já não consigo mais adiar, venho pensado nisso constantemente, e sei que está próximo.

    Muuuuuito obrigada por compartilhar conosco tua experiência linda, ajudou muito!!!

    Fica na Paz, beijão.

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  8. Debora Peres

    Inspirador Rafael, ha um pouco mais de 2anos venho lendo sobre Monte Roraima… Com certeza essa aventura entra em meus planos 2015\2016. Mega bjooo

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  9. Ana Cristina

    Oi Rafael!
    Amei o seu relato e estou inspiradíssima programando a minha viagem… porém irei somente em outubro/15.
    Queria saber qual foi o seu ponto de chegada após sair do Brasil… foi para Caracas e depois para Santa Elena? Você sabe dizer se existem vôos para Santa Elena? Ou conseguimos chegar lá somente por terra?
    Bjo grande!
    Ana

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  10. Murilo Gloria

    Rafael, tudo bem? Muito bom o seu site. Parabéns. Estou pretendendo ir ao Monte agora em setembro e o pacote que há disponibilidade vai somente até o ponto triplo. Qual sua opiniao? Voce acha que já vale a pena ou o melhor do passeio está depois dali?

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    1. Rafael Kosoniscs Post author

      Olá. Raul. Como o uso de agência é obrigatório, acabei alugando a barraca com a empresa. A alimentação também é por conta deles. Minha mochila ficou bem leve, apenas uns 8kg. Bem tranquilo!

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  11. Thatyla

    Olá Rafael, adorei suas dicas! Deu ainda mais vontade de subir o monte!
    Me responde uma coisa, não tem como carregar a bateria da máquina fotográfica né?
    Abraços!

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  12. Luana

    Olá Rafael!
    Muito completo o seu relato, ajudou muito! Só reforçou minha vontade de visitar o lugar!
    Já fiz trekking em Machu Pichu e Torres Del Paine, até exigiu um certo preparo, mas deu pra encarar. Fico um pouco preocupada quanto a isso… Geralmente há “tempo de sobra” para as caminhadas diárias? Dá pra ir tranquilo, cada um no seu ritmo, sem pressa?!?
    Obrigada!!

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  13. jeferson

    Olá Rafa, gostaria de saber se há possibilidades de se andar de Mountain BIke p Monte Roraima.
    E se em algum momento é NECESSÁRIO guias ou agencias, se há restrições etc.

    Reply

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