Travessia Petrópolis – Teresópolis: um dos mais belos trekkings do Brasil

20599

Sempre ouvi falar da famosa Travessia Petrópolis – Teresópolis, conhecida também como Petro – Terê. O trekking é bastante tradicional no mundo outdoor, ele acontece no Rio de Janeiro, no Parque Nacional da Serra dos Órgãos. O trajeto tem aproximadamente 30 km e é feito, geralmente, em 3 dias de caminhada. É, sem dúvida, uma das travessias mais desejadas do Brasil, sendo considerada por alguns como a mais bonita.

O trekking é puxado e não há quem diga o contrário. Logo no primeiro dia o desafio é bravo, existe um desnível de mais de 1.100 metros para serem percorridos em 7 quilômetros. Não é moleza. Mas como dizem por aí, sem sacrifício não há vitória. É uma verdade. Este trekking é realmente pesadinho, mas muito gratificante de fazê-lo.

 

E por que não Teresópolis – Petrópolis?

O sentido inverso não é muito praticado, primeiramente porque a paisagem é mais bonita no sentido Petrópolis – Teresópolis, já que as montanhas ficam bem de frente para o trilheiro. E segundo, talvez o motivo mais importante, é que alguns trechos são bem complicados, sendo difíceis de percorrê-los de forma inversa. Mas há quem faça.

 

O Parque Nacional da Serra dos Órgãos (PARNASO)

Ele é velho. É o terceiro parque mais antigo do Brasil. Foi criado por Getúlio Vargas, em 1939. O ex-presidente transformou a região em um Parque Nacional. Mas cem anos antes, D. Pedro I, já havia desbravado a região, tendo comprado uma fazenda em Petrópolis, onde atualmente funciona o Palácio Museu Imperial.

História à parte, o Parque Nacional da Serra dos Órgãos é protegido pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), que exige algumas regras para manter o parque preservado, como por exemplo, limite de 100 pessoas por dia, além de uma taxa para poder entrar no parque. O valor é justo, mesmo o parque tendo alguns problemas que poderiam ser resolvidos com toda essa grana dos visitantes. Vou comentar mais adiante no post.

A Serra dos Órgãos chama atenção de longe, a formação rochosa é o grande charme da região, e é lá que está o famoso Dedo de Deus, considerado o berço da escalada brasileira, fora isso, é no PARNASO que está, também, a Agulha do Diabo, eleita uma das 15 melhores escaladas em rocha no mundo.

Mas o lugar não é só para escaladores, não. A Serra dos Órgãos é terreno fértil para amantes de trekking, ideal para pessoas, que como eu, preferem manter os pés no chão, mas que não abrem mão de uma boa aventura.

Travessia Petrópolis - Teresópolis

Amanhecer no Camping do Açu

Informações sobre a Travessia Petrópolis – Teresópolis

Grau de dificuldade

O grau de dificuldade da Travessia Petrópolis – Teresópolis depende muito da condição física de cada um. De modo geral, este trekking exige bastante esforço físico. Em alguns pontos, como por exemplo, no “elevador”, “mergulho” e “cavalinho” (nomes dados para determinados trechos), existem certo perigo, por isso, considero o trekking de nível moderado/difícil. O primeiro dia, como já citei acima, também é bem puxadinho.

 

Duração do trekking

A Travessia Petrópolis – Teresópolis é feita geralmente em 3 dias, com o seguinte roteiro:

Dia 1 – De Petrópolis (Bonfim) ao Castelo do Açu | Tempo: +/- 7 horas de caminhada

Dia 2 – Do Açu à Pedra do Sino | Tempo: +/- 8 horas de caminhada

Dia 3 – Da Pedra do Sino a Teresópolis | Tempo: +/- 4 horas de caminhada

 

Pode-se fazer o trekking em 2 dias, mas é muito mais puxado. Neste caso, o roteiro fica assim:

Dia 1 – De Petrópolis (Bonfim) ao Castelo do Açu | Tempo: +/- 7 horas de trekking

Dia 2 – Do Castelo do Açu à Pedra a Teresópolis | +/- 12 horas de trekking

Por não poder acampar em qualquer lugar, o trekking de 2 dias só pode ser viabilizado desta maneira.

Travessia Petrópolis - Teresópolis

Cachoeira Véu da Noiva – Petrópolis

O percurso

A distância é muito relativa em montanha, porque 200 metros podem representar um inferno na terra ou um grande alívio. A quilometragem não é uma medida muito segura para avaliar um trekking. A Travessia Petrópolis – Teresópolis tem praticamente 30 km de extensão. O GPS apontou 29,8 km.

 

A melhor época

O inverno é sem dúvida a melhor opção para fazer a Travessia Petrópolis – Teresópolis. A partir de maio já é uma boa época. No verão, que é um período chuvoso, não se recomenda realizar essa travessia, evidentemente pela alta probabilidade de receber tempestades. Portanto, programe-se para fazer Petro – Terê até outubro.

 

Continue lendo, mas talvez você se interesse também pelos seguintes artigos:

Seguro para viagem de aventura: já é hora de pensar em segurança

Turismo de aventura consciente: uma responsabilidade de todos

Viagem de aventura: é hora de falar de planejamento e riscos

O desafio e o sabor da superação ao ar livre

Trekking, uma metáfora para a vida

Diferença entre hiking e trekking

Sobre viagens e montanhas

O trekking e seus sentidos

 

Quem pode fazer a Travessia Petrópolis – Teresópolis?

Qualquer pessoa, desde que esteja em boas condições de saúde. Sedentários devem evitar, porque é um trekking que exige certo condicionamento físico. O preparo físico é essencial, saber caminhar em trilha também é importante.

petropolis-teresopolis-04

Vale do Bonfim

Ingresso

Para começar, adquira seu ingresso. Acesse o site www.parnaso.tur.br/ingresso

Observação 1: A compra antecipada é a garantia que sua trip irá acontecer. Lembrando que, por dia, somente 100 pessoas podem entrar. Não deixe para última hora.

Observação 2: No ato da compra, alguns documentos ficarão disponíveis para impressão, como:

Recibo de pagamento, Norma e Responsabilidade (este último apenas p/ menores de 18 anos).

Leve todos os documentos impressos, eles deverão ser apresentados na entrada do parque.

Observação 3: Durante o trekking, o trilheiro vai passar por 2 abrigos, um na Pedra do Açu e outro já próximo à Pedra do Sino. Estes abrigos alugam barracas, podendo ser reservadas também durante o processo de compra do ingresso. Além disso, é possível, também, comprar um banho de 5 minutos, mas somente no Abrigo da Pedra do Sino. A barraca custa R$ 40,00/dia e o banho R$ 20,00.

Observação 4: A Travessia Petrópolis – Teresópolis, caso não seja feita com guia, poderá ter 1 responsável pelo grupo. Se o aventureiro escolher ir de forma independente e não quiser ficar responsável por ninguém, terá que fazer cada membro assinar uma Norma.

Atenção: Há diferentes tipos de ingressos. No caso da Travessia Petrópolis – Teresópolis, escolha a opção: 03 dias de trilha com 2 pernoites.

O valor do ingresso oscila entre R$ 40,40 e R$ 58,00, depende do dia (final de semana, feriado, dia de semana e etc). Tem que simular para ver.

petropolis-teresopolis-05

Seguindo para o Vale da Luva

O que levar para a Travessia Petrópolis-Teresópolis

Antes de fazer o mochilão, lembre-se: você terá que levar tudo nas costas. Leve somente o essencial.

A sua carga deverá ser dividida em três categorias:

1º Equipamento de trekking
2º Equipamento de camping
3º Comida

Esta lista poderá diminuir ou aumentar conforme estilo e gosto de cada pessoa. Vou colocar aqui o que eu considero absolutamente necessário, ok?

 

Equipamentos de Trekking

Vestuário

– Roupas íntimas (suficiente para os dias 3 planejados)
– 1 segunda pele completa, underwear calça e blusa
– 2 pares de meias próprias de trekking
– 2 camisetas de trekking
– 1 calça tática (calça que vira bermuda)
– 1 calça de fleece para dormir
– 1 par de botas
– 1 corta vento
– 1 fleece para dormir
– 1 anorak (impermeável)
– 1 casaco de polartec 200
– Touca
– Luvas de fleece
– 1 par de sandálias (havaianas)

 

Equipamentos

– Mochila cargueira entre 60 e 75 litros
– Bastâo de trekking (seus joelhos vão agradecer)
– Camelbak 2 ou 3 litros
– Lanterna ou headlamp
– 1 par de pilhas
– Canivete
– Sacos plásticos (para lixo e roupas sujas)
– GPS
– Corda de 10 metros (1 por grupo)
– Kit primeiros socorros (curativos, remédios (dor/febre, estômago e de uso pessoal))
– Hidrosteril/clorin
– Isqueiro
– Toalha de banho média de secagem rápida
– kit pessoal (escova de dentes, creme dental, sabonete e desodorante), tudo em menor volume possível.

 

Equipamentos de camping

– Barraca
– Isolante térmico
– Saco de dormir com 0ºC de conforto
– Liner (Thermolite)
– Fogareiro à gás
– Gás Tek Butano / Propano
– Panelas/Talheres de camping
– Pequena esponja para lavar louça e pedaço de sabão em pedra

 

Comida

Há diversos tipos de alimentações para camping. Pode optar por comida desidratada (liofilizada), comida pronta (do estilo Vapza e Alimentação), além de outras opções.

Fora as refeições, é essencial levar outros alimentos que contenham carboidrato, proteína e açúcar.

petropolis-teresopolis-06

Pedra do Garrafão

Como chegar a Petrópolis:

De ônibus:

De São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte há passagens diretamente para Petrópolis.

Simule aqui pela ClickBus

 

De Petrópolis até a portaria da Sede Petrópolis

De Ônibus:

A melhor opção a partir do Centro de Petrópolis é tomar um ônibus para o Terminal de Corrêas. Lá existem duas linhas que atendem ao Bonfim – a linha 611 (Bonfim) que tem ponto final a cerca de 1 Km da portaria e a linha 616 (Pinheiral) que chega mais perto, até a Escola Rural do Bonfim.

De Taxi:

Taxi é boa opção para quem não quer perder tempo. É importante chegar cedo à entrada do parque, até mesmo para terminar o trekking em horário razoável. O trajeto da rodoviária de Petrópolis até a entrada do parque é de aproximadamente 40 minutos. O custo total aproximado é de R$ 80 / R100, podendo ser dividido entre 3 ou 4 pessoas. Vale a pena.

petropolis-teresopolis-07

Acampamento do Açu

Com ou sem guia?

Vai depender da experiência do trilheiro. O primeiro dia é praticamente autoguiado, sem grandes dificuldades de navegação. O único problema da Travessia Petrópolis – Teresópolis é que constantemente ela é dominada por neblina, o que dificulta bastante em determinados pontos. O segundo dia é mais fácil de se perder, mesmo existindo setas no chão.

A dica é: se possuir GPS e faro de trilha, dá para ir sem guia. Caso contrário, contrate um profissional e garanta sua segurança.

Neste trekking conheci o Geovane Rento, um dos melhores guias da região | Contato: 21 99854-3742 | email: geovanerento@ig.com.br | Facebook

 

Custo da Travessia

Ônibus São Paulo x Petrópolis = R$ 86,78
Teresópolis x São Paulo = R$ 96,44
Taxa de entrada do Parque: +/- R$ 58,00 (depende da época)
Camping: R$ 18,00 (por dia e por pessoa) | R$ 36,00 (travessia)
Alimentação: +/- R$ 60,00 (alimentação de camping – levar de casa)
Opcional – (Abrigo Beliche: R$ 40,00 Abrigo chão: R$ 25,00)
Opcional – (Abrigo Beliche: R$ 40,00 Abrigo chão: R$ 25,00)
Opcional – Banho quente: R$ 20,00  (Abrigo Sino)
Opcional – Aluguel de barraca: R$ 40,00 (por dia)
Opcional – Guia: R$ 350,00 / R$ 400,00
Taxa de Serviço: R$ 20,00

Custo total  da Travessia Petrópolis – Teresópolis

Sem guia: R$ 380,00 (valor aproximado).

Com guia: R$ 730,00 (valor aproximado).

Morro do Marco

 

Relato da Travessia Petrópolis-Teresópolis

O trekking foi realizado nos dias 1, 2 e 3 de maio de 2015.

O grupo: Eu (Seu Mochilão), Gisely Bohrer (A Montanhista), Fabio Morimoto, Erika Koch, Analu Shiota e Rogério Aiello.

 

Dia 1 – De Petrópolis ao Castelo do Açu

Por volta das 9h chegamos à entrada da Sede de Petrópolis. Apresentamos toda a documentação e fomos liberados rapidamente. O trekking começou às 9h30. Estava bastante frio e uma névoa envolvia todos nós. Já me sentia ofegante em poucos minutos de caminhada, mas não era por causa da exigência da trilha, e sim pela minha bronquite asmática.

Em aproximadamente 1h de andança encontramos a bifurcação para a cachoeira Véu da Noiva e Gruta do Presidente. Fizemos uma parada naquele ponto para conhecer o lugar. Rogério preferiu ficar cuidando das mochilas e descansando. A cachoeira Véu da Noiva de Petrópolis é lindíssima, uma das mais bonitas que vi nos últimos tempos, ela só merecia um nome mais original, porque todas as cachoeiras do mundo têm o nome de Véu da Noiva. Que coisa, não?! Falta de criatividade…

Após retornarmos ao ponto da bifurcação, consumi algumas gotas de Berotec, um dilatador de brônquios. Daquele ponto em diante não tive mais nenhum problema com a suposta asma.

Em qualquer atividade outdoor é indispensável levar medicamentos de uso pessoal, além do tradicional kit de primeiros socorros. 

Depois disso, encaramos 1h de subida até a Pedra do Queijo, que é um mirante muito bonito, sendo possível avistar o Vale do Bonfim. Paisagem incrível. Almoçamos por ali.

petropolis-teresopolis11

Abrigo do Açu

 

Já de barriga cheia, seguimos morro acima até o Ajax, um dos pontos de água da trilha. Normalmente os trilheiros escolhem esse ponto para almoçar. Após essa parte, a trilha fica mais íngreme e chatinha, porque é onde inicia o trecho chamado de Isabeloca. Foram mais uns 40 minutos de subida intensa.

Segundo a lenda, a princesa Isabel passou por este trecho montada em mulas. A verdade não se sabe, mas que a subida é chata, isso é.

Depois da Isabeloca, chegamos ao Chapadão do Açu, que é uma parte bem mais tranquila. De lá, já era possível avistar, mesmo que de longe, a Pedra do Açu e os Castelos do Açu, que na minha opinião, são umas das cerejas do bolo. A formação rochosa é bem interessante. Lugar cinematográfico.

A caminhada até a Pedra do Açu foi completamente envolta por neblina. Chegamos ao Açu por volta das 15h, fomos os primeiros a chegar no local, o que facilitou bastante a escolha do melhor ponto de acampamento. Demos entrada no abrigo — o parque possui certo controle de quem chega e sai.

Armamos acampamento e jantamos logo em seguida. Em pouco tempo já estávamos curtindo o lugar, mesmo sem apreciar a paisagem, já que o lá estava totalmente dominado por névoa. Dizem que, em noites abertas, é possível observar as luzes da cidade do Rio de Janeiro e da Baixada Fluminense. Não conseguimos ver. Uma pena. Dormimos cedo.

O Abrigo do Açu está interditado há meses por falta de manutenção. E pra que serve a taxa do parque?

 

Dia 2 – Do Açu à Pedra do Sino

Acordamos bem cedo, presenciamos o nascer do sol, lavamos nossas panelas, levantamos acampamento, enchemos nossos camelbaks e demos baixa no abrigo. Partimos.

O destino inicial era chegar ao Morro do Marco, meta que atingimos em 25 minutos de caminhada. Descemos uma grande laje de pedra, com destino ao Vale da Luva — um antigo local de acampamento, mas que já não é mais permitido. É também um dos pontos de coleta de água.

Seguimos sentido ao cume do Morro da Luva, um trajeto de aproximadamente 30 minutos. O clima estava agradável, com poucas nuvens, céu azul, sol generoso. Um dia bem bonito.

Se no primeiro dia não contemplamos a paisagem devido à neblina, no segundo tivemos o merecimento de presenciar um tempo limpo, com vista privilegiada para a Pedra do Sino e Garrafão. Paisagem inspiradora.

Depois da Luva, o próximo destino era o Elevador, um dos mais famosos trechos do trekking, que também sofre com falta de manutenção. Os degraus são vigas de ferro, mas muitos já não existem mais e, os que restaram, geram dúvidas de segurança. Tem que ultrapassar este trecho dividindo o peso em pelo menos 2 deles, jamais depender de apenas um degrau. É um do pontos mais perigosos do trekking. Se cair, já era.

Depois disso, seguimos sentido Morro do Dinossauro, trajeto que demorou aproximadamente 45 minutos. De lá, já era possível avistar o Vale das Antas, nosso próximo destino. A descida deste vale também foi rápida. Presenciamos alguns corredores de montanha e até brincamos, que se andando já era tenso, imagina correndo. Haja condicionamento físico!

Encaramos mais uma grande subida, o objetivo era atingir o Dorso da Baleia. Conseguimos. Fizemos ligeira pausa e já vislumbrávamos a pedra que antecedia à Pedra do Sino. Não faltava muito para a andança acabar. Mas a maior dificuldade estava por vir.

Foto: Fabio Morimoto

Travessia Petrópolis – Teresópolis | Foto: Fabio Morimoto

Chegamos ao mergulho, que nada mais é do que uma grota, uma perigosa depressão que deveríamos atravessar. Foi tenso. Analu foi na frente, sem corda, com cuidado e com olhar de quem escala. Examinou a parada e nos avisou como deveríamos fazer. Ela ficou na metade do caminho para dar suporte a todos nós.

Eu estava com a corda, fui pela encosta da grota, passei-a em um gancho e desci o pequeno e perigoso trecho como se estivesse rapelando. Cheguei até Analu. Fábio foi em seguida, pela corda. Ajudei-o com a mochila e descemos. Depois disso, Geovane Rento, um dos guias da região, chegou com seu grupo e ajudou o restante da nossa equipe a descer. Sobrevivemos.

Ainda tomados pela adrenalina, chegamos rapidamente ao Cavalinho, considerado o trecho mais perigoso da Travessia Petrópolis – Teresópolis. Analu foi na frente, sendo ajudada por alguns corredores de montanha. Depois disso, ela ajudou cada um de nós a subir, também com o auxilio da corda. Trecho tenso.

Tivemos que alçar as mochilas com a corda para que pudéssemos atravessar o cavalinho sem muito risco de acidente. O ideal, sem dúvida, é fazer este trecho com equipamento de escalada. Exagero de segurança? Acho que não.

Após o Cavalinho, seguimos pela estreita trilha que contorna a Pedra do Sino, até encontrar o acesso de subida para o cume, ponto culminante da Serra dos Órgãos (2.263m). Optamos em ir para o abrigo da Pedra do Sino, já que o tempo estava fechado, sem possibilidade de enxergar nada no cume.

Chegamos no camping por volta das 16h, já havia muitas pessoas por lá. Colocamos nossos nomes na fila do banho, fizemos o acampamento e organizamos nossas tralhas. Dormimos cedo, novamente.

 

Dia 3 – Da Pedra do Sino a Teresópolis

Acordamos com a chuva. Conseguimos sair da barraca somente às 8h. O céu estava totalmente fechado, não se enxergava nada na Pedra do Sino. Tentamos a Pedra da Baleia (outra pedra que também recebe este nome) e ficamos lá alguns minutos. Ventava bastante e a neblina não dava trégua. Em determinado momento, abriu um clarão, onde conseguimos enxergar a Baía de Guanabara. Paisagem linda.

petropolis-teresopolis12

Pedra da Baleia

 

Saímos do camping por volta das 10h, rumo a Teresópolis. O trajeto não tinha muitas atrações, somente descidas, a maioria em zigue-zague. Fizemos pequena pausa na Cachoeira Véu da Noiva, de Petrópolis, e seguimos morro abaixo. A descida total durou aproximadamente 4 horas. Foi tranquilo.

A Travessia Petrópolis – Teresópolis é um dos trekkings mais bonitos que já fiz no Brasil. A Serra dos Órgãos é fantástica, sua geografia é ímpar. É um trekking que todos deveriam fazer. 

A turma do trekking

No abrigo do Sino | Da esq. p/ dir. Rafael Kosoniscs, Gisely Bohrer, Rogerio Aiello, Analu Shiota, Erika Koch e Fabio Morimoto (foto).

 

 

Conheça as 12 principais regras para fazer a Travessia Petrópolis – Teresópolis

  1. É proibido andar fora das trilhas, varar mato e utilizar atalhos.
  2. Nas áreas de camping e alojamento, entre 22h e 8h, deve ser observado o horário de silêncio. Nada de fazer balada na montanha.
  3. Leve seu lixo de volta.
  4. Os fiscais e vigilantes poderão solicitar a abertura das cargueiras. Não estranhe caso isso aconteça.
  5. O número máximo de visitantes na trilha da Pedra do Sino e do Açu é de 100 pessoas. Garanta seu ingresso antecipado.
  6. O camping na montanha só é permitido nos arredores do Abrigo da Pedra do Sino – Abrigo 4 e dos Castelos do Açu. Nada de fazer camping selvagem fora dessas regiões. Existe multa caso isso não seja respeitado.
  7. É proibido o acampamento na área do cume da Pedra do Sino. É, não rola.
  8. Para fazer o trekking é necessário preencher o Termo de Conhecimento de Risco, assinado por um responsável da trip, e portar identidade, bem como indicar um número de telefone fixo para contato de emergência.
  9. Fica proibido o porte de garrafas de vidro na área de montanha. Nada de encher a cara na montanha.
  10. Fogueiras também não rolam. Refeições devem ser preparadas em fogareiros.
  11. A contratação de guia ou condutor por visitantes não é obrigatória, mas não vá sem GPS.
  12. Em caso de acidente provocado por conduta inadequada do trilheiro, os custos da operação de resgate deverão ser restituídos. Cuide-se!


Rafael Kosoniscs tem 32 anos, é paulista, publicitário, guia de turismo, blogueiro e estudante de jornalismo. É viciado em viagens de mochilão — seja em cidades ou em meio à natureza. Tem o montanhismo como paixão, sonha em dar a volta ao mundo e escrever um livro.


66 comentários em “Travessia Petrópolis – Teresópolis: um dos mais belos trekkings do Brasil

    1. Rafael Kosoniscs Post author

      Olá, Eder. Para voltar a Petrópolis, tem que ir até o Terminal de Teresópolis. Algumas empresas fazem o trajeto. O Busão custa aproximadamente R$ 17,00 (Viação Teresópolis) e a viagem dura mais ou menos 1h30. É tranquilo. Para saber os horários, veja aqui: http://www.viacaoteresopolis.com.br/
      Existe também a opção de deixar o carro em Petrópolis e retirar em Teresópolis, mas não é um serviço oficial do parque. Moradores de região costumam fazer isso para ganhar um extra. Não consegui achar o valor para te passar.
      Um abraço.

      Reply
  1. Juliana Faria

    Olá Rafael!

    Ótimo post! Esclareceu várias dúvidas que eu tinha…
    Vou fazer essa travessia em julho e as paisagens que vi nas suas fotos me animaram bastante!

    Abraço!

    Reply
  2. José Luís da Silva

    Rafael, estou me programando para fazer a travessia em agosto,proximo. De todos os blogs que pesquisei até agora, o seu foi o que me deu mais informações.
    Tenho 56 anos. Fora o desgaste que aparece com a chegada da idade,a saúde está em ordem graças a Deus. Não fumo, não bebo,faço musculação moderada 3 vezes por semana, agora com ênfase maior nos exercicios de pernas.
    Enfim, procuro me cuidar. Mesmo assim vc acha que a idade pode ser um problema? Pretendo ir só, com a ajuda de um guia da região. Concordo com vc, também acho que sozinho se aproveita melhor os passeios. A sua opinião vai me ajudar muito. Desde já muito obrigado pela atenção. Saúde,sorte e sucesso pra vc. J.Luis

    Reply
    1. Rafael Kosoniscs Post author

      Olá, José Luís. Obrigado pelo comentário. Fico feliz em ajudá-lo. Não acho que a idade seja um problema não, pelo contrário, acho que você poderá se sair muito bem. Aconselho a ir com guia, até mesmo para garantir sua segurança. Sua experiência será incrível. O guia não vai te limitar em nada, apenas irá auxiliá-lo caso necessite. Vá sim, não perca essa oportunidade. Um abraço.

      Reply
  3. clodoaldo lazaro de souza

    Cara muito legal todos estes trekking. Eu e alguns amigos estamos planejando fazer alguns como os que vocês fizeram. Parabéns muito bom mesmo.

    Reply
  4. Julio Cesar

    Boa noite Rafael, gostaria de saber se trilha possui muito degraus naturais que forçam muito o joelho? Desde já agradeço.
    Ótimo post.

    Reply
  5. José Luís da Silva

    O lá Rafael, te mandei um comentário em 31 de maio passado, dizendo que estava pretendendo fazer a travessia Petrô-Terê em Agosto, vc até me incentivou dizendo que a idade não seria problema vc se lembra ? Entâo cara, acabei de chegar da travessia. Fiz nos dias 10-11-12 , meu guia foi o Luciano Mateiro, um dos melhores da região, cara muito gente boa, conhece tudo da trilha. Na véspera fiquei no Hostel 148 , café da manhã de primeira , rapaziada da recepção tudo gente fina. Conforme vc disse a trilha é bem puxadinha, principalmente no primeiro dia, mas o pôr do sol no açu e o dia amanhecendo no outro dia ,vale qualquer esforço, o tempo tava bom, céu de brigadeiro. Fez muito frio á noite, 3 graus na primeira e 2 na segunda, segundo os funcionários dos abrigos. Elevador , mergulho, cavalinho,(a dica de passar com corda ajudou muito). Passei tudo na boa. Enfim a trilha toda é um espetáculo ,valeu o frio valeu o cansaço, valeu cada passo. Obrigado pelas dicas e pelo incentivo. Valeu!!!

    Reply
    1. Rafael Kosoniscs Post author

      Olá, José Luís. Que felicidade saber que deu tudo certo. Fico realmente contente que tenha gostado da experiência e agradeço seu retorno por aqui. Parabéns pela conquista. Um abração!

      Reply
  6. Marcio

    Belo relato.

    É frustrante saber que se paga e que os abrigos estão sem manutenção e as trilhas degradadas, oferecendo inclusive risco para quem vai. Uma coisa é assumir um roteiro de trekking, outra coisa é assumir a degradação e o perigo (pois, no caso de um percurso efetivamente tão perigoso assim, o montanhista já saberia e iria melhor preparado…)

    Reply
  7. Santos

    Quero mto fazer essa trilha mas ,não quero guia. Gostaria de saber se PRECISO manjar de alpinismo ou da pra ir na boa… A navegação nao me preocupa, manjo. Mas as cartas onde consigo? Mais alguma dica importante? Grato.

    Reply
  8. Yolanda da Silva Fordelone

    Oi, Rafael

    Muito legal o post. Vou fazer a travessia agora no feriado de outubro. Só uma dúvida…. pra voltar de ônibus de Teresópolis pra Petrópolis é sussa? Tem indicação das linhas?

    Abraço!

    Reply
  9. Luisa

    Olá Rafael,
    Gostaria de saber se é realmente necessário levar corda ou se é possível fazer sem. Estou com receio de fazer a trilha do segundo dia, do Açu à Pedra do Sino, pois estou sem corda
    Pretendo fazer agora na virada, mas dependendo do tempo terei que optar entre ir somente à pedra do sino ou somente ao castelo, se esse for o caso, qual dos dois você acha que vale mais a pena?
    Obrigaa

    Reply
  10. Jonathan

    Opa amigo, ótimo texto sobre a travessia, só um ressalve, na vdd D.Pedro não comprou uma fazenda em Petrópolis, Petrópolis era a fazenda, chamada Fazenda do Córrego Seco. O Museu era a residência da família imperial.

    Reply
  11. MÁRCIO MOURA ROCHA DOS SANTOS

    Olá Rafael gostaria de saber se conseguiria algum guia para fazer o percurso correndo com o proposito de fazer em menos de 12horas? Isso é possivel no parque? Vc conhece alguem que já fez?
    Agradeço antecipadamente.

    Reply
  12. Cristiano Rissi

    Fala Rafael como que ta tudo certo.
    estou querendo fazer a travessia, você poderia me passar
    o track do GPS, ou sabe algum site fora o Wikiloc.
    qe possa baixar.
    agradeço.

    Reply
  13. Antonio

    Ola Rafael
    Irado seu post, esclareceu praticamente todas as dúvidas que ainda tinhamos.
    No entanto, restou uma: É necessario levarmos comida para as refeições, ou nos abrigos é possivel compra-las? No caso, minha pergunta inclui o fogareiro para preparar essas refeições.
    Obrigado

    Reply
  14. Flavio

    irado seus comentarios sobre a travessia. Gostaria de saber sobre a agua.É necessario uma boa quantidade de agua para a caminhada do primeiro, segundo e terceiro dia? De petropolis ate o castelo ha algum riacho, ou algo que possa pegar agua e purifica la? E do castelo ao sino? E do sino a teresopolis? Alem disso, nos abrigos possui agua onde posso abastecer as garrafas?? valeu

    Reply
  15. Orlando N. Carvalho

    Irei fazer esta trilha em julho, a minha duvida è a seguinte: vi uma foto que o pessoal tem que escalar uma serra, faço atividade fisica, más não sou bom de braço, essa escalada é muito puxada?

    Reply
  16. Virgilio de Faria Bretas

    Obrigado por compartilhar as informações Rafael!
    No abrigo eles fornecem cobertor ou devemos levar saco de dormir para ficar na beliche?
    Obrigado!
    Abraço.

    Reply
  17. Orlando Jose Normanha de Carvalho

    Valeu a dica Rafael. Acabei de fazer a trilha, na companhia de Cyro e Rafael, um pouco puxada, porem fomos com o guia de nome Geovane Rento, profissional exemplar. O esforço foi recompensado pela maravlihosa paisagem e a sensação de liberdade, Deixou saudades. Gostaria de deixar gravado MEUS SINCEROS AGRADECIMENTOS A GEOVANE RENTO.

    Zeca baiano

    Reply
  18. Eduardo Marques de Souza Oliveira

    Oi Rafael,td bem?
    Parabenizo pelo seu trabalho,muito legal e útil pra quem curte montanhismo.
    Uma dúvida,irei fazer a travessia Petro X Terê agora em Julho/2016,gostaria de saber até quantos quilos eu posso levar uma barraca junto comigo na mochila?
    Aguardo e abraços.

    Reply
    1. Rafael Kosoniscs Post author

      Olá, Eduardo. Você tem que levar o que você aguenta. Não recomendo barraca acima de 2,5Kg. Aconselho também que faça a Petrópolis-Teresópolis já com experiência em trilha. Um abraço.

      Reply
  19. Tássia Reche Virginio

    Olá Rafael, irei fazer a Travessia agora em Setembro, estou ansiosíssima, Saco de dormir e isolante térmico é indispensável correto?
    vamos ficar em beliche ou bivaque, mesmo assim devo levar barraca?

    Reply
    1. Rafael Kosoniscs Post author

      Oi Tássia, tudo bem? Isolante e saco de dormir é o básico, certo? E acho que está confusa com algumas coisas, lá tem a opção de escolher abrigo, ou ficar no camping do abrigo, sendo este com o uso de barraca própria ou do próprio refúgio. Lá no site deles, que está mencionado no post, você consegue escolher essas opções. Dá uma lida com atenção no site do Parnaso. São muitas opções que eles disponibilizam, por isso é importante ter um planejamento bem afinado para esta travessia. Um abraço e espero que tenha ótima experiência. Um abraço!

      Reply
  20. ANDERSON FARIA

    FALA RAFAEL,ESTOU PARA FAZER A TRAVESSIA PETRÓPOLIS X TERESÓPOLIS AGORA EM AGOSTO DIAS 25,26 E 27 FUI CONVIDADO POR UM AMIGO. SEMANA PASSADA CHEGUEI DO PICO DA BANDEIRA,APESAR DA MINHA DECIMA SEGUNDA VEZ NAQUELAS TRILHAS ACHO QUE DESSA VEZ EXAGEREI NA MOCHILA,SENTI MUITO A DESCIDA A MINHA MOCHILA ESTAVA COM 65 KG.
    ESTAREI INDO COM UM AMIGO E UMA GALERA QUE NÃO CONHEÇO,PERGUNTO:QUANTO LEVAR DE COMIDA PAR ESSES TRÊS DIAS,COSTUMO SEMPRE LEVAR UMA COMBINAÇÃO DE CARBO-HIDRATO COM PROTEÍNA OU SEJA : MACARRÃO COM ATUM,ALGUMAS FRUTAS SECAS COMO DAMASCO E PASSAS,MAS O QUE ESTA ME PREOCUPANDO E O USO DA CORDA .
    FIZ ESSA TRILHA A MUITOS ANOS,E PELO O QUE ME LEMBRO OS TRECHOS,COM CORDA SÃO BEM DIFÍCEIS SE NÃO FOR USAR CORDA O RISCO E MUITO GRANDE,TENHO CONHECIMENTO EM ESCALADA,TENHO MATERIAL DE ESCALADA TAMBÉM MAS FAZER UMA TRILHA COM QUEM NÃO CONHEÇO ,ESTA ME PREOCUPANDO,DE QUALQUER FORMA NADA MELHOR DO QUE DEIXAR AS COISAS AS CLARAS AFINAL O COMBINADO NÃO SAI CARO.
    RAFAEL O NOSSO IMENSO AGRADECIMENTO AO SEU TRABALHO,AO SEU BLOG QUE DEIXAM AS TRILHAS DESSE MUNDO MAIS FÁCEIS E SEMPRE MAIS BONITAS,PARA QUE POSSAMOS DEIXA-LAS MELHORES DO QUE ENCONTRAMOS.

    Reply
    1. Rafael Kosoniscs Post author

      Olá, Anderson. Cara, mochila de 65kg? colocou pedra dentro? rs Sobre a comida: Prefira comida desidratada quando for fazer trekkings com mais de 2 dias. A quantidade vai depender de quanto você come, mas separe conforme as refeições que fará. Leve proteína, carboidrato, açúcar e isotônicos para serem consumidos durante o trekking. O trecho da corda é meio chato mesmo, principalmente pra quem não tem muita experiência ou problemas com exposição. Tente ir com pessoas que já tenham ido para lá e que possuam experiência neste tipo de atividade. Abração e ótimo trekking pra vc!

      Reply
  21. Aga

    Boa tarde
    Voce acha que crainca de 6 anos pode fazer a trilia?
    Com 5 anos de idade ja fiz o pico d’as agulias negras 2700m.
    Voce ja fiz esta trilia com criancas?
    Obrigada

    Reply
    1. Rafael Kosoniscs Post author

      Olá, Aga. De maneira alguma eu recomendo que uma criança de 6 anos faça essa trilha. Há alguns lances perigosos nessa travessia, não recomendo. Procure outras mais fáceis, ok?
      Abs

      Reply
  22. Aga

    Oi Raf! Obrigada pelo resposta:) Pensamos tambem que depois o 1dia pode ser dificil de descer para ele porque 1 dia e 20 km et 1100m ? De autro lado ele ja caminhou em Peru ( 5 anos) 3 dias de trekking no Canyon de Colca se voce conhece e a montanha do machu pichu…e mais em Ushuaia …
    Na traversia tem muitas pasages com corda, longe ou curte?
    Obrigada
    Aga

    Reply
  23. Rogério V. da Silva

    caro Rafael, parabéns pelo blog, excelentes informações.fazem vinte anos que não faço uma trilha ando querendo juntar uma galera na minha cidade para fazer alguma.
    seu relato me incentivou muito, já estou providenciando um bom treino e me preparando para o próximo inverno fazer a travessia, obrigado pelas informações.
    grande abraço.
    Rogério kareka

    Reply
  24. Geise

    Olá, parabéns por compartilhar sua experiência!
    Pelo que leio em vários Blogs, janeiro não é um mês recomendado para a travessia, mas como é o mês das minhas férias, estamos (família) nos programando pra ir. Sou sedentária, mas tenho bastante disposição. Pela sua experiência, dá pra ir sem guia?

    Reply
      1. Geise

        Você é guia? Caso não seja, aceito indicações. Somos do Rio de Janeiro.
        Sobre a comida liofilizada, estou pesquisando em alguns sites. Aceito indicações tmb. Toda informação é bem vinda!

      2. Rafael Kosoniscs Post author

        Olá, Geise. Sou guia sim, mas por questão de logística não faço Petro-Tere. No post eu indico o guia que conheço. Sobre a comida liofilizada, tem bastantes artigos na net, não daria para te explicar por aqui. Mas não tem segredo, alguns servem 1 ou 2 pessoas. Vem escrito na embalagem. É simples. Abs

  25. Alex oliveira

    Boa noite quero fazer a atravessia petropolis x teresopolis em julho queria saber se agem se interessa em ir pq não quero ir sozinho moro no rio

    Reply

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *