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Transpatagônia: um filme de Guilherme Cavallari

transpatagôniaTranspatagônia é um documentário de Guilherme Cavallari que narra sua jornada de 6 meses viajando por toda a extensão da Patagônia e da Terra do Fogo, sozinho e montado em uma bicicleta.

O filme é inspirador do começo ao fim. É o tipo de documentário que nos faz pensar na vida e em nossas escolhas. Quem gosta de trekking ou ciclismo — e entende dessas atividades — vai sentir uma forte identificação com os pensamentos do protagonista. Em alguns momentos, faz dar aquele “nó na garganta”, principalmente em suas reflexões sobre o sentido da vida.

A maneira que o filme foi editado torna-o imprevisível. O começo, meio e fim às vezes se misturam, que faz o longa-metragem ficar ainda mais interessante. E, por ser tratar de um documentário, depoimentos complementares dão um sentido maior ao enredo.

 

 

Transpatagônia está longe de ser apenas uma história de aventura ou um longa-metragem para apresentar um feito esportivo extraordinário. O documentário mostra a redenção de uma alma, com grandes pitadas de reflexão e isolamento.

 

Guilherme Cavallari | Foto: Reprodução
Guilherme Cavallari | Foto: Reprodução

 

O filme me ganhou com uma reflexão que acontece logo nos primeiros minutos. É a seguinte:

Eu enxergo a vida como uma série de desencontros pontuada de ocasionais encontros. Eu explico. Quando escolhemos ser, por exemplo, arquiteto ou advogado, em teoria mata o engenheiro, o médico ou o atleta profissional dentro de si. Quando escolhemos viver em determinado país, em determinada cidade, extinguimos as possibilidades de sermos residentes de outras localidades. Quando escolhemos viver com alguém, quando nos casamos, fechamos as portas dos nossos corações ao resto do mundo… 

Um pouco por sabermos que nosso tempo de vida é limitado e, portanto, escolhas precisam ser feitas, mas também em maior parte por pressão social ou familiar, tomamos caminhos muitas vezes pré-determinados. Escola, faculdade, casamento, paternidade, profissão, planos de carreira, aposentadoria… Essas coisas todas vêm em pacote, e para muitos chegam quase que de uma só vez.

Às vezes admiro, profundamente, quem consegue viver assim, seguindo os caminhos já mapeados, navegando a potente corrente desenhada pela sociedade. Eu nunca consegui isso. Talvez eu vivesse mais meus sonhos e fantasias, talvez me faltasse a paciência de primeiro plantar e depois colher.

Fato é que, o rumo que dei à minha vida, me trouxe até aqui…

Guilherme Cavallari

 

Cena do filme Transpatagônia
Cena do filme Transpatagônia

O que achei mais fantástico é que, em nenhum momento Guilherme Cavallari tenta mostrar um feito impossível ou uma viagem para fazer história, muito menos para bater algum recorde. Ele divide a sua viagem, mostra suas sensações, tristezas, alegrias — como por exemplo, quando encontra água pelo caminho ou simplesmente com uma refeição no final do dia — e muitas outras emoções. É um filme bastante humano, sem heroismo.

Transpatagônia é um incentivo à vida outdoor. E um convite à vida.

Tive a honra de assistir o filme-documentário ao lado de Guilherme Cavallari, lá no Refúgio Kalapalo, junto com outros blogueiros da RBO. Experiência fantástica.

 

***

O filme foi o ganhador do Prêmio do Público no Rio Mountain Festival 2014, conquistou o 2º lugar no Art&Tur International Tourism Film Festival 2015, na Cidade do Porto, em Portugal, e foi finalista do Festival Internacional de Filmes de Esporte 2015, no Rio de Janeiro.

Transpatagônia é apenas uma pincelada da aventura vivida por Guilherme Cavallari. Quem quiser se aprofundar mais sobre sua viagem de bicicleta na Patagônia e na Terra do Fogo, deve ler o livro TRANSPATAGÔNIA | PUMAS NÃO COMEM CICLISTAS.

Cena do filme Transpatagônia
Cena do filme Transpatagônia

 

Transpatagônia

Tipo: Filme-documentário esportivo / inspiração

Duração: 63 minutos

Ano: 2014

Onde assistir: Netflix, Canal Brasil e Google Play

 

Trailer

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Rafael Kosoniscs

Sou jornalista e publicitário, tenho 36 anos e viajo de mochila nas costas há 12 invernos. Tenho a mochilagem e o montanhismo como paixões. Vou publicar meu primeiro livro este ano – e você já está convidado(a) para o lançamento. Fique de olhos nas redes para não perder, ok? Siga: @seumochilao | @rafaelkosoniscs

4 Comentários

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  • Terminei de ler o livro esses dias e ontem assisti o documentário! AMEI! Muito obrigada pela indicação do livro, a qual me possibilitou ter contato diretamente com o autor! Vou falar mais dele na resenha 🙂 Mas adorei mesmo! E quero ir pra patagonia! 🙂
    Bjo da Isa – Lido Lendo.

    • Que bom que gostou, Isa. O Guilherme é um cara dez, vá qualquer no refúgio dele. Tenho certeza que irá gostar. Vou ficar de olho na resenha. Um beijo!!!

  • Tubarão, SC, 14/02/2018.
    Olá Guilherme,
    Boa Tarde.
    Eu e um Amigo, malucos iguais, estamos pensando em convidar mais um ou dois “psicopatas” para pedalarmos de Tubarão/SC até a Patagônia, aprox. 10.000 Km (Ida e Volta). Será uma viagem de Sessentões (aposentados), que gostam de aventura e desafíos.
    Temos algumas dúvidas sobre até quantos ciclistas, por mais disciplinados e amigos que sejam, seria mais seguro nos aventurarmos nesta jornada?
    Deveríamos apenas levar alforges laterais nas bikes, com peso total de até 40 Kg, ou como Você fez, adicionarmos mais um mini reboque, cujo peso seria revesado entre os três ou quatro ciclistas?
    Qual a velocidade média recomendada, considerando-se que não somos atletas, e nem queremos, já que apreciamos um bom vinho e cerveja” Kkk”.
    Onde poderei adquirir seu livro?
    Abraços.
    José Francisco de Aguiar, eng.
    unicon.brasill@gmail.com,
    Tubarão, SC.

  • Se levássemos um pequeno motorhome para Apoio, Socorro, para nosso descanso e refeições, seria prudente de mais, ou não, já que também queremos, nas comunidades onde passarmos, ministrarmos algumas palestras sobre (1) Meio Ambiente – Proteção a Natureza – Não polua, não destrua, (2) Doação de Sangue e Órgãos: Doar Vida e (3) Respeito, Solidariedade, Paz e Igualdade.
    Queremos que nossa AVENTURA seja em cima de bikes, mas também queremos deixar nossas mensagens registradas nas comunidades carentes por onde passaremos.
    Somos “jovens e saudáveis senhores de idades”, aposentados, de 60, 64 e 66 anos, que queremos fazer deste desafio uma grande e inesquecível aventura.
    Quero aqui parabenizá-lo pela forma tão educativa como realizou sua aventura, principalmente por compartilhar conosco.
    PARABÉNS!
    Abraços,
    J.F. de Aguiar

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