Laguna Cejar, mais morta que o mar morto

3553

Foi difícil entrar na Laguna Cejar. Ensaiei alguns bons minutos para conseguir dar os primeiros passos na lagoa. Pense numa água gelada. Pensou? Então vá além, imagine aquela água de isopor pós-churrasco. É mais ou menos aquilo. A água é extremamente gelada. Um verdadeiro repelente de medrosos e friorentos. Mas vale o esforço, ainda mais por estar no fantástico Deserto do Atacama.

O lugar está a apenas 25km de San Pedro de Atacama, e se trata de uma lagoa linda – do tipo maravilhosa mesmo – de cor esmeralda. É um dos passeios mais próximos do vilarejo. E deve ser feito com agência ou com um próprio veículo 4×4.

Laguna Cejar - Deserto do Atacama

Antes de ir para o Deserto do Atacama, pesquisei exaustivamente sobre todos os passeios – sou do tipo que planeja bastante. Li blogs, comprei guias, conversei com amigos que já tinham ido. E nessa busca de informações obtive opiniões distintas sobre a Laguna Cejar. Um deles: que era um passeio que valia a pena, mas que era um pouco caro. Outro: um passeio que não valia a pena, já que era um tour sem atrações extraordinárias. Na dúvida, fui lá e fiz o passeio. E não me arrependi.

À primeira vista, achei o passeio razoável. Mas logo mudei completamente de opinião. Resultado do meu pensamento filosófico: quanto vale para se banhar em uma lagoa em que você não afunda e diante de uma paisagem surreal? Pois é, amigo viajante, por isso eu digo que vale a pena, sim. E mais do que isso, são 3 passeios numa tacada só: Laguna Cejar, Ojos del Salar e Laguna Tebinquinche.

Laguna Cejar - Deserto do Atacama

Já sabe como chegar no Deserto do Atacama? Leia este post!

 

Laguna Cejar

 

Por que diabos não se afunda na Laguna Cejar? Porque a concentração de sal é absurdamente grande. Dizem que é superior ao do Mar Morto. Sendo assim, boiar por lá não é tarefa difícil. Não há como afundar. Não há como morrer afogado na Laguna Cejar. Não há como não entrar – mesmo que seja só para molhar as canelas.

 

Se o sal excessivo é convite para não morrer afogado, a água gelada tentar expulsar todos que pisam por ali. Em muitos casos ela consegue. Várias pessoas dão pra trás por medo da água gelada. Eu quase fui uma delas. É compreensível. A água da Laguna Cejar é daquelas que faz doer os ossos. Sem exagero. Mas a experiência é gratificante. Só tem que ter coragem.

Laguna Cejar - Deserto do Atacama

Laguna Cejar - Deserto do Atacama

E dá para entrar com calma na Laguna Cejar. É tipo praia. Dá para ir devagar. Vai ficando fundo aos poucos. Mas chega uma hora que o chão acaba. É nesse momento que a brincadeira acontece. Para quem resiste ao frio da água, terá bons momentos de diversão, principalmente pelo fato de não afundar.

Uma boa pedida para curtir esse passeio é usar uma câmera de ação (do estilo GoPro) e registrar toda a luta contra a água gelada – e também para guardar de recordação o momento. É diversão garantida!

Laguna Cejar - Deserto do Atacama

O drama da água gelada | Laguna Cejar – Deserto do Atacama

E existe também outra surpresa: o sal que aparece no corpo depois de sair da água. A pele fica toda branca. Por aí dá para ter ideia do quanto de sal que existe na Laguna Cejar. É definitivamente um passeio curioso, divertido e com paisagem privilegiada.

 

Para curtir um dos mergulhos mais gelados da vida, o guia dá as instruções para fazer a experiência ser ainda mais interessante. Ele pede para entrar de costas, bem tranquilo e, em determinado momento, avisa que é a hora de abrir os braços e jogar o corpo para trás. Você pode até tentar se afundar, mas é impossível. O jeito é deixar flutuar e relaxar.

 

Laguna Cejar - Deserto do Atacama

Para você perguntar para a agência que contratar: Quando fui para a Laguna Cejar, a ducha de lá – que serve para tirar o sal do corpo – não estava funcionando. Algumas agências levaram água para os turistas tirarem o sal do corpitcho, já outras agências, não. A minha, por exemplo, não levou. E não me senti incomodado com o sal no corpo. E mais do que isso, logo depois desse passeio acontece o tour para os Ojos del Salar, um local de água doce, sem sal. Ou seja, momento perfeito para se limpar e continuar a diversão.

Laguna Cejar - Deserto do Atacama

Para você saber: O passeio para a Laguna Cejar não acaba nela. Geralmente – quase sempre – é feito também os tours pelos Ojos del Salar e Laguna Tebinquinche, outras duas maravilhosas atrações no Deserto do Atacama.

Laguna Cejar - Deserto do Atacama

 

Laguna Tebinquinche e Ojos del Salar

A Laguna Tebinquinche e Ojos del Salar também fazem parte do passeio para a Laguna Cejar. Ou seja, é um passeio triplo. E por isso acho que vale muito a pena. Depois de curtir o primeiro passeio pela lagoa que não afunda, o tour segue para os Ojos del Salar: dois enormes buracos cravados no coração do Deserto do Atacama. Bem impressionante e de origem misteriosa.

A última atração do dia é a Laguna Tebinquinche, uma laguna formada pelo degelo da Cordilheira dos Andes que oferece um cenário pra lá de inspirador. É sem dúvida a cereja do bolo desse passeio. O motivo? A beleza absurda do lugar: neve + montanha + laguna de sal + vulcão Licancabur + horizonte infinito + frio da Cordilheira + flamingos + pôr do sol. Ufa! Acho que é mais ou menos isso. Ou seja, é um passeio para fechar o dia no Deserto do Atacama com chave de ouro.

Para saber mais sobre a Laguna Tebinquinche e Ojos del Salar, leia este post!

Laguna Cejar - Deserto do Atacama

 

Como chegar na Laguna Cejar

Como em todos os passeios no Deserto de Atacama, o passeio para a Laguna Cejar parte de San Pedro de Atacama. É possível ir apenas via carro/Van.

 

Valor

O passeio para a Laguna Cejar se faz geralmente junto à Laguna Tebinquiche e Ojos del Salar. O valor engloba os três pontos turísticos. Tour obrigatório!

$ 26.000 (+/- R$ 130,00) + Entrada: $ 2.000 (R$ 10,00)

$ 1000 Pesos chilenos = +/- R$ 5,00

 

O que levar à Laguna Cejar

  • Água
  • Boné
  • Roupa de banho
  • Toalha
  • Óculos de sol
  • Máquina fotográfica
  • Blusa de frio (anoraque)

 

posts-atacama

Saiba mais sobre o Deserto do Atacama. Veja o Post-Índice!



Rafael Kosoniscs tem 32 anos, é paulista, publicitário, guia de turismo, blogueiro e estudante de jornalismo. É viciado em viagens de mochilão — seja em cidades ou em meio à natureza. Tem o montanhismo como paixão, sonha em dar a volta ao mundo e escrever um livro.


Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *