A Ilha do Sol e o hiking às margens do Lago Titicaca

1836

Bolívia, um país tão próximo, mas com uma realidade muito distinta da nossa. Lá, encontra-se um dos lugares mais incríveis da América do Sul: a Ilha do Sol. O local reserva tranquilidade, cultura raiz, cores tradicionais e inúmeras ruínas que a colocam como uma grande detentora do patrimônio histórico boliviano. E, ao contrário do caos da capital, a ilha oferece bastante tranquilidade. Para desfrutá-la, é preciso ir até a cidade de Copacabana – sim, existe uma Copacabana na Bolívia –, um pequeno povoado, praticamente um vilarejo, a cerca de 140 quilômetros de La Paz, na fronteira entre Bolívia e Peru. Fácil de chegar.

A Ilha do Sol é um lugar histórico e sagrado, situa-se às margens do famoso Lago Titicaca, nos Andes, o lago navegável mais alto do mundo. Ela possui 9,6 km comprimento e 4,6 de largura. Um lugar impressionante, onde o tempo não parece ter passado. A paisagem é formada por subidas e descidas, águas, trilhas de pedras, pastos de lhamas e pequenas casas. Ela é dividida em três comunidades: Yumani (Sul), Challa (Centro) e Challapampa (Norte). A maior – e também a mais turística – é a Yumani, que possui vários hostels, restaurantes e mercadinhos.

Segundo a lenda, foi na Ilha do Sol que nasceram os primeiros incas, Manco Capac e Mama Ocllo, e este é o motivo pelo qual o lugar é venerado pelos bolivianos. Ir até lá e não fazer o hiking do norte ao sul da ilha é um desperdício, já que há mais de 180 ruínas e muitas delas podem ser vistas durante a travessia. Vou detalhar mais abaixo.

Ilha do Sol

Ilha do Sol – Comunidade Yumani

 

Cansei! Virei boliviano.

 

As atrações da Ilha do Sol

A Ilha do Sol por si só já é um maravilhoso ponto turístico. É um pedaço de chão com cores gritantes e diversos lugares legais. Vale subir até o topo da ilha e fazer o tradicional circuito de norte-sul ou sul-norte. Junto da paisagem, as ruínas são as principais atrações da Ilha do Sol, elas foram construídas no período pré-hispânico e se encontram em bom estado de conservação.

 

Ruínas – Parte Norte

Complexo Chinkana

Complexo Chinkana

Complexo Chinkana – Ilha do Sol – Bolívia | Foto: shutterstock.com

Podemos dizer que é uma das principais atrações da Ilha do Sol – talvez a maior. É um verdadeiro templo inca, um lugar misterioso que parece mais um labirinto.

 

Rocha Sagrada | Pedra do Puma

Rocha Sagrada | Pedra do Puma

Rocha Sagrada | Pedra do Puma

É um altar onde rolava sacrifícios de humanos e animais. Ou seja, era uma mesa de sacrifícios.

 

Templo del Sol

templo del sol

Templo del Sol – Ilha do Sol – Bolívia | Foto: shutterstock.com

Não encontrei muitas explicações sobre o local, mas é uma grande ruína. Vale alguns clicks.

 

Museu de Ouro da Cidade Submersa

No tour guiado, feito pelo lado norte, é possível conhecê-lo. É apresentado uma série de objetos encontrados durante escavações no Lago Titicaca.

 

Ruínas – Parte Sul

Pilkokaina

Pilkokaina

Pilkokaina – Ilha do Sol – Bolívia | Foto: shutterstock.com

É um palácio inca que teria sido construído por um antigo imperador. As janelas e portas retangulares afunilam para cima. É bem curioso.

 

Fuente del Inca

Uma fonte que significava muito para os incas, cada cavidade, respectivamente, possuía o significado: Não roubar, não mentir e não ser preguiçoso. Na época da invasão espanhola, acreditava-se que se tratava de uma fonte da juventude. Atualmente, o lugar é um crucial recurso de água para os moradores locais.

 

O hiking Norte-Sul ou Sul-Norte

Hiking - Sul-Norte - Ilha do Sol - Bolívia

Hiking – Sul-Norte – Ilha do Sol – Bolívia

Foi um dos hikings mais bonitos que já fiz. O Lago Titicaca chama muito a atenção, e as ruínas são as cerejas do bolo durante a caminhada. O trajeto dura de 3h/4h (somente ida). Pode-se voltar de barco ou a pé. Caso opte em fazer ida e volta, o hiking deverá ser iniciado na parte da manhã.

A trilha não é difícil. Quase não há subidas e descidas, é praticamente uma caminhada plana. O grande desafio é que a Isla del Sol está a 4 mil metros de altitude, sendo assim, sente-se certo cansaço durante a caminhada.

Como mencionei acima, a Ilha do Sol é dividida em 3 comunidades: Yumani (Sul), Challa (Centro) e Challapampa (Norte). Cada povoado cobra uma “taxa de visita”, conhecida por nós como pedágio. É uma prática comum, embora não exista qualquer presença governamental no local.

Quanto custa o paranauê?

No lado norte, a Comunidade Challapampa cobra Bs. 10; no Centro, a Comunidade Challa cobra Bs. 15 e no Sul, a Comunidade Yumani cobra Bs. 5.

O que levar para a trilha: É necessário levar água e comida. No caminho é possível comprar algumas coisas, mas é um tiro no escuro, porque nem sempre elas se encontram abertas. Leve dinheiro para o pedágio.

 

A melhor época

A melhor época é o período de seca. Os meses de maio até setembro são os mais indicados, porque além de não chover, o céu estrelado torna-se outra grande atração do lugar.

 

Quantos dias na Ilha do Sol?

Ao contrário dos tradicionais guias de viagem, não aconselho visitar a Ilha do Sol em apenas um dia. Na minha opinião é um desperdício de tempo ir até lá e voltar no mesmo dia.

ilha do sol01

Uma Chola na Ilha do Sol

 

O barato da Ilha do Sol é curtir o local, observar os nativos, andar do sul ao norte, presenciar o pôr do sol e jantar nos aconchegantes restaurantes. Aconselho o mínimo de dois dias. Optei por três.

Roteiro de 1 dia: Descer na parte norte da ilha e fazer o tour guiado para as ruínas.

Roteiro de 2 dias: Fazer o hiking sul-norte e conhecer as ruínas localizadas ao sul, que são as menos exploradas.

Roteiro de 3 dias: Conhecer todos os lugares e curtir intensamente a Ilha do Sol.

 

Como chegar

Há barcos que saem diariamente de Copacabana às 8h30 e às 13h30. O ticket deve ser comprado no cais e custa aproximadamente Bs. 35.

 

Hospedagem na Ilha do Sol

As pousadas são bem em conta. As acomodações surpreendem pelo preço, a maioria é bem arrumadinha e bastante confortável.

Os restaurantes são igualmente interessantes, alguns ficam na própria cozinha da família, muito maneiro. É tudo bastante aconchegante, sem luxo, mas incrivelmente envolvente.

A parte sul reserva mais opções de hospedagens, mas é possível encontrar hostels em todos os lugares da Ilha do Sol.

Encontre pelo Booking: Veja aqui as hospedagens na Ilha do Sol.



Rafael Kosoniscs tem 32 anos, é paulista, publicitário, guia de turismo, blogueiro e estudante de jornalismo. É viciado em viagens de mochilão — seja em cidades ou em meio à natureza. Tem o montanhismo como paixão, sonha em dar a volta ao mundo e escrever um livro.


17 comentários em “A Ilha do Sol e o hiking às margens do Lago Titicaca

  1. Ângela

    Estava em dúvida se fazia o passeio ou não quando for pra Bolívia em novembro, agora já não estou mais. Com certeza quero conhecer a ilha! Obrigada pelas dicas, Rafa!

    Reply
  2. Rita Aversa

    Rafa, muito bom seu relato! To indo em janeiro pra isla del sol e to com algumas duvidas… não pretendo fazer a trilha norte-sul, pois não tenho condicionamento fisico, mas gostaria de conhecer os dois lados. Como faço isso? tem barcos que levem de um lado a outro? fico um dia em um e outro dia em outro? nao queria reservar hostel, quero ver o lugar primeiro, sentir a vibe… sera que corro risco de não achar vagas?
    tantas duvidas…. rsrsrs Obg!!!

    Reply
    1. Rafael Kosoniscs Post author

      Olá, Rita. Vamos lá, dá pra ir de barco sim, como menciono no post. Há 2 cais, só ir até eles e pronto. Simples. Quando chegar na ilha você poderá se informar sobre os horários e tudo mais. Não tem segredo. Sobre ir no escuro e sem fazer reserva acho meio complicado. E se não encontrar vagas? Se for em alta temporada o risco de ficar sem lugar não é pequeno. Um abraço

      Reply
  3. rogerio

    marinheiro de primeira viajem literalmente, quanto me sai uma viagem dessas pra bolivia, no esquema de mochilão mesmo ? uma base, assim me programo para o proximo ano.

    Reply
  4. David Dias

    Cara, que legal.
    Vou pra Rio branco em julho, como faço pra chegar até a ilha? Quanto será que gasto? Se puedres me ajudar, fico agradecido!

    Reply
  5. Mariana A.

    Olá Rafael, você acha perigoso ir sozinha para a Isla, hospedar por dois dias em um hostel na parte Sul?? Muito interessante sua publicação, deu para tirar várias dúvidas!!

    Reply

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *