Uma noite no Albardão – O isolado farol no extremo Sul do Brasil

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Durante a travessia da Praia do Cassino, feita em 2014, tive o privilégio de ter uma experiência pra lá de bacana. Passei uma noite no Albardão, um farol da Marinha do Brasil. Um lugar isolado e fantástico.

O farol é um ponto de referência para os navegadores. Essa é a sua principal função. Especialmente àqueles que navegam para o porto de Rio Grande, no sul do nosso país. Porém, é certo dizer que o farol do Albardão também carrega outra utilidade: ele abriga aventureiros, especialmente peregrinos que ousam atravessar a grande praia do litoral gaúcho.

Farol do Albardão

Farol do Albardão

 

O farol está localizado na maior praia do mundo, entre a praia do Cassino e Hermenegildo, uma faixa de areia deserta e extensa, que vai do Rio Grande até a fronteira com o Uruguai. Um local praticamente virgem que faz parte da história dos Campos Neutrais.

 

Mas que diabos é isso?

De forma resumida, os Campos Neutrais eram terras sem dono, uma área neutra, um limite de fronteiras onde nem os espanhóis e nem os portugueses podiam dominar. O local foi palco de muitas disputas entre os dois países.

A treta acabou com a assinatura do Tratado de Santo Ildefonso, em 1777, quando ainda nem existia cachorro quente, e a região ficou sendo um território neutro e, portanto, conhecida como Campos Neutrais.

 

A experiência no Farol do Albardão

A caminhada de 143 km até chegar no Farol do Albardão

A caminhada de 143 km até chegar no Farol do Albardão

 

O farol pode receber visitantes e até servir de base de descanso, mas lá não é nada bagunçado e não pode chegar sem avisar. É necessário pedir autorização para a Marinha do Brasil. O contato é feito através do 5º Distrito Naval, localizado em Rio Grande. É só pedir com carinho.

Foi assim que consegui, junto com o blog A Montanhista, parceira de projeto Expedição Cassino, passar uma noite no Farol do Albardão. Tivemos que andar 143 km até alcançá-lo, mas posso dizer que foi uma sensação incrível. Nunca pensei que poderia ficar hospedado no albergue da Marinha, muito menos em um farol isolado.

Os oficiais, apesar de serem reservados, foram muito gentis com a gente e ofereceram camas e chuveiro quente, um verdadeiro luxo pra quem estava há 5 dias sem tomar banho.

Uma das casas do farol

A casa dos hóspedes – Farol do Albardão

 

O Albardão foi construído em 1909 devido ao excesso de naufrágios na região. Mais de duzentos já se perderam naquelas águas devido à pirataria e também por falta de conhecimento de rota. A torre atual é de 1948, possui 44 metros de altura e é alimentado por gerador à diesel.

 

Você pode ir!

Sim, qualquer pessoa pode ir pra lá, desde que tenha permissão.

Chegar lá não é tão simples, só é possível ir pela praia, podendo ser a pé, de bike ou 4×4. O acesso mais próximo (+/- 100 km) é através do Chuí, fronteira com Uruguai, e dá pra ir de Rio Grande (+/- 140 km).

Telefone: (53) 3233 6322 – Sargento Bittencourt
Email: bittencourt@ssn-5.mar.mil.br



Rafael Kosoniscs tem 32 anos, é paulista, publicitário, guia de turismo, blogueiro e estudante de jornalismo. É viciado em viagens de mochilão — seja em cidades ou em meio à natureza. Tem o montanhismo como paixão, sonha em dar a volta ao mundo e escrever um livro.


9 comentários em “Uma noite no Albardão – O isolado farol no extremo Sul do Brasil

  1. Cristiano Closs

    Tchê Loco….. vou voltar a mochilar…. sempre tive vontade de ir nesse farol…tem como passar mais detalhes? tipo teve custo com eles? tenho que levar algo para eles? ou ajuda de custo? apenas entrar em contato com a marinha e pedir? ou tem que ter algum motivo?, como pesquisa e etc….. te agradeço Rafael…..

    “Ser mochileiro não é sair correndo para fincar bandeiras”
    “Rafael Kosoniscs”

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  2. Basílio Siqueira Vaz

    Bom dia! Gostei da sua dica, estou pretendendo fazer a rota do Chuí a Torres de bike e vou tentar me programar para pernoitar nesse lugar!

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  3. Flávio Rangel Kreisig

    Bah Tchê, muito bacana essa empreitada! Parabéns e obrigado pelas dicas. pretendo passar um dia lá, mas vou com minha 4×4. Abração!

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