Viagem de aventura: é hora de falar de planejamento e riscos

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Fazer uma viagem de aventura é um caminho sem volta, quem experimenta uma vez, não para mais. É o tipo de trip que mexe muito com a gente, porque mistura prazer, liberdade e adrenalina. E sabemos que estas sensações viciam.

Geralmente, iniciamos no mundo da aventura de maneira tímida, mas com o passar do tempo começamos a sentir a necessidade de se aventurar em lugares mais distantes, principalmente quando entendemos que a melhor maneira de explorar o mundo é viajando a pé, indo para o meio do desconhecido.

A viagem de aventura é quando a brincadeira deixa de ser simplesmente uma viagem e passa a ser um esporte, que muitas vezes acontece em locais remotos, onde há necessidade de se ter um conhecimento mais técnico, além de um bom condicionamento físico. Essas atividades extremas, como o trekking em locais distantes, exigem cuidados especiais, até mesmo para os mais engajados no mundo outdoor.

 

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Tenho percebido um crescimento de adeptos de viagem de aventura, como o trekking, que está cada vez mais caindo do gosto popular, mas sem muita orientação e controle. Além disso, pouco tenho visto sobre os cuidados e riscos das atividades ao ar livre, e as notícias de aventureiros que se perdem em trilhas são cada vez mais frequentes, sem falar nas mortes que ocorrem por falta de conhecimento técnico e planejamento.

Para qualquer viagem de aventura, sendo ela extrema ou não, é necessário ter a ciência sobre os riscos que a atividade envolve. Se preparar devidamente para uma trip é essencial, e optar por profissionais qualificados é o melhor caminho para aqueles que procuram obter as primeiras experiências em viagem ao ar livre. É melhor garantir uma viagem divertida e segura do que colocar a vida em risco.

Uma viagem de aventura sempre vai envolver perigos, mas é possível amenizá-los com um bom planejamento de trip. Com base em minhas experiências criei alguns tópicos que julgo essenciais na hora de montar uma viagem outdoor.

 

A escolha do destino

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As estações ditam as regras. Todo e qualquer destino de aventura tem que ser escolhido com a atenção na melhor época para a atividade desejada. No Brasil, por exemplo, a temporada de montanha tem início em maio e vai até setembro, fora desse período não é aconselhável encarar uma trip em meio às montanhas. Toda região deve ser analisada individualmente, principalmente em nosso pais, que possui dimensão continental. Portanto, seja aqui ou no exterior, o local deve ser escolhido e estudado conforme a melhor época para a atividade que o aventureiro deseja praticar.

Lembrando que cada destino, principalmente sendo fora do Brasil, implica em analisar se há necessidade de visto e vacinas. Importantíssimo.

 

Vestuário

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Com o destino definido, já é possível planejar todos os outros detalhes. O vestuário deve ser a primeira grande preocupação, porque muitos lugares exigem roupas específicas, como um ambiente de alta montanha. Além disso, estes itens específicos não costumam ser nada baratos e deixá-los para comprar de última hora pode comprometer o orçamento de qualquer viagem.

E com roupa adequada não se deve economizar. A escolha correta pode ser determinante em uma situação adversa, como uma variação climática inesperada.

 

Equipamentos adequados

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A escolha dos equipamentos também é outro grande desafio na hora de fazer o mochilão. Sempre nos preocupamos com o peso e às vezes deixamos para trás itens essenciais. O planejamento correto evita riscos e pode amenizar muitos perrengues. A definição da melhor mochila, a escolha da barraca adequada, o saco de dormir com o conforto ideal, kit cozinha…

Muitos detalhes devem ser levados em consideração na hora de planejar uma viagem de aventura, principalmente sendo feita de forma independente.

 

Seguro viagem

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Tá aí o grande vilão do planejamento de uma viagem de aventura. É difícil encontrar uma legítima seguradora que atue no meio outdoor. Todo viajante aventureiro tem que se preocupar com o seguro viagem para locais extremos, porque qualquer assistência médica que se possa precisar em outro país pode virar um pesadelo caso o viajante não esteja devidamente segurado.

É preciso procurar e ler minuciosamente todas lacunas do contrato de seguro. Por exemplo, o seguro de saúde pode não cobrir a evacuação médica. Lembrando que, resgate feito em áreas remotas é absurdamente caro, portanto é algo que não pode ser negligenciado, mesmo sendo feito com guias e empresas especializadas. Sempre questione a respeito do seguro viagem!

Leia também: Seguro para viagem de aventura: já é hora de pensar em segurança

 

Preparo físico e aconselhamento médico

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Não basta somente ter dinheiro e vontade de fazer uma viagem de aventura, é preciso, também, um bom preparo físico. Muitos projetos ao ar livre podem ser fisicamente exigentes, por isso é importante estar em forma antes de embarcar para a tão sonhada aventura. Sair de uma vida sedentária à procura de uma experiência ao ar livre pode ser traumático. Se realmente estiver decidido a encarar uma grande viagem deste tipo, busque algum profissional especializado, de preferência com o mínimo de 3 meses para a viagem. Condicionamento físico é um trabalho gradual.

Fazer uma consulta com um médico, de preferência pelo menos 4-6 semanas antes da viagem, é a melhor maneira de receber recomendações e aconselhamento médico.

 

Alimentação adequada

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Em uma viagem, a alimentação é normalmente composta pela gastronomia dos locais visitados, mas isso não acontece em viagem de aventura. O tipo de comida para uma trip outdoor é mais complexa do que se imagina. Deve-se levar em consideração o peso, ganho calórico, fácil cozimento e o tipo do alimento.

Uma viagem ar ar livre não é somente um passeio, ela vai exigir muito do organismo, e o corpo tem que estar funcionando em perfeita condição durante toda a empreitada. A viagem de aventura é um esporte onde o gasto calórico é altíssimo. E deve ser reposto igualmente.

Geralmente, o alimento liofilizado é a melhor opção, porque além de ser leve ele possui grande prazo de validade, além preservar todas as propriedades do alimento.

Maximo Kausch tem um artigo bacana que fala sobre alimentação em alta montanha, mas muitas informações podem ser levadas como base para uma viagem outdoor em baixa altitude. Veja aqui!

 

Conhecimento de rota e navegação

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Geograficamente, é fundamental saber para onde está e para onde quer ir. Algumas investidas em meio à natureza podem ser sinalizadas, mas muitas não são. Neste caso, há diversos recursos que podem ser utilizados.

A orientação por bússola e mapa exige bastante estudo e treinamento, mas é um conhecimento que salva vidas, porque através dele é possível determinar a sua posição no mapa e a direção correta para chegar até outro ponto. Ou seja, é difícil de ser perder.

O GPS surgiu para facilitar a vida dos aventureiros, o aparelho possui diversos recursos interessantes, com ele é possível seguir rotas já criadas por outras pessoas, além de poder criar as próprias rotas, inserir coordenadas, ver altitude, temperatura… É um item indispensável pra quem não tem conhecimento de navegação com bússola, até mesmo se a aventura por feita em parques nacionais e em trilhas teoricamente autoguiadas. Mas é essencial ter o conhecimento do uso do aparelho.

 

Kit de primeiros socorros

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Não importa se o viajante já possua grande conhecimento e vivência no meio outdoor, mas qualquer aventura, seja uma trilha de final de semana ou uma expedição para um local remoto, o kit de primeiros socorros é item indispensável. E, geralmente, esta é a última preocupação do aventureiro, afinal de contas, ninguém pretende fazer o uso do kit médico, por isso ele não acaba recebendo a devida atenção.

Deve-se analisar o destino, a quantidade de dias, o número de pessoas e se haverá possibilidade de resgate para o local que está se aventurando. Lembre-se que os riscos ao ar livre, como queimaduras solares e picadas de insetos, aplicam-se também à viagens de aventura. Não podemos esquecer dos itens básicos.

Neste post da Go Outside, Karina Oliani ensina como montar um kit de primeiros socorros: Veja aqui!

 

Guia / Empresa especializada

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Os destinos de aventura, como os que exploram desertos, florestas, montanhas, geleiras são bons exemplos de viagens que exigem a presença de um guia de confiança, experiente e treinado. Muitas pessoas morrem ou passam perrengues tenebrosos por abrirem mão de um profissional, por se considerarem autossuficientes, mas no primeiro problema já demonstram incapacidade de lidar com as adversidades que a natureza oferece.

Guias conhecem a região, indicam os melhores caminhos e poupam grande parte do esforço do viajante durante o planejamento da trip. Sem falar que a maioria deles possui recursos extras, como o telefone satelital, essencial em qualquer expedição. Procure empresas sérias e peça referências para quem já pratica a atividade.

A viagem feita de forma independente, se for essa a intenção do viajante, deve ser realizada de forma gradual, com estudo e vivência na atividade, sempre com segurança e conhecimento. A loucura é só um ingrediente a mais.

(crédito das imagens: shutterstock.com)



Rafael Kosoniscs tem 32 anos, é paulista, publicitário, guia de turismo, blogueiro e estudante de jornalismo. É viciado em viagens de mochilão — seja em cidades ou em meio à natureza. Tem o montanhismo como paixão, sonha em dar a volta ao mundo e escrever um livro.


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