Machu Picchu dos Incas, dos peruanos, de todos nós

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Machu Picchu pertenceu aos Incas – é das antigas civilizações mais organizadas que se tem conhecimento. Mas engana-se quem pensa que eles se limitavam à antiga cidade. Para se ter ideia, os Incas estavam presentes em toda a região da Cordilheira dos Andes, isto é, também há registros deles na Bolívia, Chile e Equador. E claro, no Peru.

Atualmente, Machu Picchu recebe centenas de visitas por dia. É um dos destinos mais visitados da América do Sul, ou melhor, do mundo. O lugar se localiza na região de Cusco, local onde abriga os mais fascinantes e misteriosos sítios arqueológicos do nosso continente, entre eles, Machu Picchu. Considerada a principal atração.

 

Explorar Machu Picchu é algo indescritível. Não conseguia deixar de repetir as palavras incrível, maravilhoso, fantástico, impressionante, absurdo a cada instante, a cada passada, a cada nova descoberta.

 

Enfim... Machu Picchu

Enfim… Machu Picchu

 

Machu Picchu

Topar com cada construção Inca é como realizar um sonho – principalmente para quem sempre quis conhecer Machu Picchu. Andar pelos corredores e entrar em cada ambiente é um verdadeiro privilégio. É um lugar onde a imaginação vai além. Impossível não pensar como era cada recinto na época dos Incas, ou na época em que foi descoberto, em 1911.

Para quem possui olhar mais atento, vai perceber a perfeição das construções. É tudo perfeito. Pedras encaixadas com uma precisão espantosa. Aquele povo, além de excelente construtor, certamente tinha noção de onde construir cada casa, cada templo. Decifrar Machu Picchu por completo é impossível. Definitivamente impossível.

O lugar é considerado uma da sete maravilhas do mundo moderno, sendo também Patrimônio Mundial da Unesco. Machu Picchu já foi dos Incas, pertence ao Peru, mas é, sem dúvida, um lugar deixado para todos.

Plaza Sagrada (Praça Sagrada)

Plaza Sagrada (Praça Sagrada)

 

Machu Picchu é praticamente 100% acessível. É possível andar em todas as ruas, olhar todos os cantos, entrar em todos os ambientes, tocar nas pedras, tirar fotos de todos os lugares.

 

Do livro escolar para a vida real

Época de colégio a gente nunca esquece. Alguns momentos ficam marcados para toda vida. No meu caso, nunca vou me esquece do dia em que vi Machu Picchu pela primeira vez. E isso aconteceu na sétima série, em 98. Internet era artigo de luxo. E, com toda a limitação da época, meu primeiro contato visual foi através do livro escolar. Lembro-me que fiquei fascinado pelo lugar, pelas imagens, pela história contada pelo meu professor.

 

Anos mais tarde, já com acesso à internet, pude pesquisar mais sobre Machu Picchu. Foi aí que a paixão aumentou. Vi que era um sonho possível e de valor acessível. Somente em 2012 consegui, de fato, fazer um mochilão pra lá. Ou seja, meu sonho ficou incubado por longos 15 anos. Mas se realizou. É isso que importa.

 

Machu Picchu era meu grande sonho de viagem. Desejava ir pra lá desde os meus anos de adolescência. Não foi o primeiro destino internacional, mas foi, seguramente, uma das viagens mais inesquecíveis da minha vida.

 

Templo Principal - Machu Picchu

Templo Principal – Machu Picchu

 

Minha viagem a Machu Picchu

“Se você estiver a fim de ir com a gente, vai ser incrível”, disse-me uma amiga que acabara de fazer em Cusco. Normalmente, em viagens pela América do Sul tudo acontece. Aqui, nesse continente, qualquer roteiro de trip pode sofrer drásticas alterações num piscar de olhos. E, a partir deste convite que recebi, minha ida a Machu Picchu não seria mais a mesma. 

Saí numa viagem de vinte e cinco dias pela América do Sul. Tempo razoável para curtir alguns lugares e, principalmente, para conhecer Machu Picchu – meu grande sonho de viagem. Como muitos viajantes fazem, comecei minha saga pelo Deserto do Atacama, depois parti para Bolívia, onde realizei outros sonhos: conheci Tiwanaku, Puma Punku e a Ilha do Sol. Já em Cusco, matei outra grande vontade, visitei Maras Moray. Só depois de tudo isso que fui ao antigo império Inca, Machu Picchu.

A ideia era mesmo deixar a cereja do bolo para o final, isto é, queria fechar a viagem com chave de ouro, deixando Machu Picchu para os últimos dias. E o melhor, através da trilha Salkantay. Mas isso não aconteceu. Eu já estava bastante cansado e desgastado de tanto caminhar. E o convite que recebi foi para ir a Machu Picchu por Santa Teresa, considerada a maneira mais barata e alternativa para se chegar à cidade dos Incas. 

 

“As viagens mais incríveis fazem-se às vezes sem se sair do mesmo lugar. No espaço de alguns minutos, certos indivíduos vivem aquilo que um mortal comum levaria toda a sua vida a viver.” Henry Miller

 

Éramos três pessoas. Eu e duas meninas da África do Sul. A partir de Cusco, nossa trip ganhou nome e sobrenome: Inka Jungle. Trata-se de uma escolha mais tranquila, verdadeiramente light e econômica. Dá pra ir por conta, mas também dá para contratar agência local. É um tour interessante que dá para fazer em 4 dias e 3 noites, desfrutando de downhill, tirolesas, rafting e trekking.

Passamos por lugares nada turísticos, alguns verdadeiramente isolados e sem qualquer infraestrutura. Locais que pareciam cidade pós-guerra. Mas a maioria apresentava ótimas paisagens. Mas o melhor foi a convivência com os novos amigos, além de toda troca cultural. E isso é impagável. Inesquecível.

 

Enfim, Machu Picchu

Pulamos da cama às 4h15. Leigh e Bronwyn, minhas companheiras de quarto, levantaram num tiro só. Fiz um esforço para acompanhar o ritmo delas. Perder o primeiro ônibus para Machu Picchu não estava nos planos de ninguém. Por isso acordamos apressados. 

Praza Sagrada

Praza Sagrada

Descemos a principal ladeira de Águas Calientes para esperar o ônibus chegar. Atrasou um pouco. Muitos turistas já estavam a postos esperando o veículo aparecer, mas tudo de maneira organizada, sem bagunça, com fila. Entramos no busão e a subida para Machu Picchu me lembrou bastante a do Cristo Redentor.

Devido ao atraso do ônibus, não conseguimos pegar o nascer do sol nas ruínas de Machu Picchu. Mas não nos importamos. Estávamos contentes demais para deixar um detalhe abalar nosso tão sonhado e esperado passeio. Entramos sem dificuldades. Apresentamos nossos ingressos e em poucos segundos já estávamos boquiabertos. Logo de cara presenciamos um pedido de casamento. Aplausos e mais aplausos ecoaram naquela manhã na antiga cidade Inca.

Templo de Las Tres Ventanas (Templo das Três Janelas)

Templo de Las Tres Ventanas (Templo das Três Janelas)

 

Demos um pequeno passeio entre as ruínas, mas em pouco tempo decidimos subir Machu Picchu, a montanha que faz ter uma visão privilegiada para as ruínas – que só se tem acesso através de ingresso previamente comprado. 

Decidimos, então, iniciar a subida. Degraus curtos, inclinação razoável, sem muita pausa para descanso. Não dá pra dizer que é uma caminhadinha prazerosa, porque não é. Foram aproximadamente 2 horas de ascensão, de conversas, risadas, descontração. Aos poucos, Machu Picchu se mostrava mais distante, menorzinha. Uma paisagem incrível. Um verdadeiro privilégio. 

Machu Picchu

Paramos poucas vezes para descansar, mas cada parada era uma alegria imensa – nada diferente dos trekkings que costumo fazer. Leigh e Bronwyn, naturais da África do Sul, professoras e atletas semiprofissionais de hóquei em Hong Kong estavam bem condicionadas. Subiam sem grandes problemas. 

Descansando em subida da Montanha de Machu Picchu

Descansando em subida da Montanha de Machu Picchu

 

As quase duas horas de subida passaram voando. Já no topo, encontramos outra amiga que fizemos no hostel em Cusco. Uma canadense que falava um português quase perfeito. Alegria grande. Ficamos uns quarenta minutos apreciando a paisagem lá de cima. Um francês, que conhecemos ali mesmo, sacou uma tábua de frios e preparou um lanchinho para todos. Uma cena bizarra. Quem leva uma tábua de frios para subir Machu Picchu? Coisa de francês. Só pode!

Leigh, Bronwyn e Eu

Leigh, Bronwyn e Eu

 

A descida foi tranquila. As pernas tremiam um pouco pela falta de potássio. Mas deu tudo certo. Estávamos de volta às ruínas em menos de 40 minutos. Uma descida rápida e feita num tiro só. 

Descansamos por pouco tempo Era hora de explorar o lugar. Entramos em todas as portas da cidade de Machu Picchu, observamos detalhes, ficamos um tempo em cada ambiente. Cada canto de Machu Picchu possui uma história. Todas minuciosamente contada pelo guia – que pode ser contratado ali mesmo. Recomendo.

5 pessoas, 4 continentes

 

Machu Picchu era incrivelmente organizado. E tudo por ali existe um significado. Era uma verdadeira cidade, com áreas urbanas, agrícolas, espaço para rituais, observação astronômica, espaços sagrados. Ou seja, todas as 172 construções da antiga cidade Inca possuem um significado. Lugar incrível, verdadeiramente memorável.

Já no final da tarde, nos sentamos na grama para curtir o lugar. Tiramos fotos. Descansamos. Uma pausa necessária para deixar tudo devidamente registrado em nossas mentes. 

 

Como chegar a Machu Picchu

Há diversas maneiras de se chegar até Machu Picchu, a mais comum é através de Lima, capital do Peru. E, depois disso, num voo até Cusco – trajeto que também pode ser feito num longo percurso de ônibus. A viagem de trem de Cusco até Machu Picchu dura aproximadamente 3 horas, mas existem outras maneiras de ir à cidade dos Incas. A Trilha Inca, conhecida como Inca Trail, é uma das vias mais clássicas para se chegar ao local.

Edifícios de Machu Picchu

Edifícios de Machu Picchu

 

Sabemos que Machu Picchu representa o sonho de viagem muita gente, porque mesmo sendo um destino batido, é ainda uma viagem exótica, mística e com um quê de trip-bicho-grilo-natureba. Mas a verdade é que todos podem visitá-la, desde o trekker alucinado em montanhas até a senhorinha de 80 anos. Portanto, há várias maneiras de chegar até lá. E é sobre essas alternativas que falo neste post: como chegar a Machu Picchu.

Machu Picchu

 

Melhor época para curtir Machu Picchu

A maioria dos viajantes procura conhecer Machu Picchu na melhor época do ano, afinal de contas, ninguém vai pra lá para pegar pancadas de chuva, não é mesmo? E mais do que isso, todos querem tirar ótimas fotografias do sítio arqueológico. Então, amigo viajante, o melhor período para viajar a Machu Picchu é no inverno, que vai de maio a setembro. O motivo? É uma época em que as temperaturas estão baixas e, consequentemente, com menos chuva. Neste post eu detalho mais sobre a melhor época para curtir Machu Picchu.

 

Águas Calientes

Não importa qual seja seu roteiro de viagem, se seu objetivo é conhecer Machu Picchu, então certamente terá como destino o vilarejo de Águas Calientes. E, por ser uma vila de apoio, tem tudo que o viajante necessita: hostels, hotéis, pousadas, restaurantes, agências de turismo.

Para os andarilhos de plantão, saiba também que Águas Calientes devem fazer parte do plano de vocês. Tanto para quem faz as trilhas Inca ou Salkantay, o vilarejo é ponto final da caminhada. Ou seja, tanto de trem ou a pé, o lugar vai, em algum momento, fazer parte da viagem de vocês. Neste post você encontrará todas as informações, saiba tudo sobre Águas Calientes.

Vista de cima da Montanha de Machu Picchu

Vista de cima da Montanha de Machu Picchu

 

Seguro viagem

Independente da maneira que o viajante escolher chegar a Machu Picchu, uma viagem pra lá não deve ser feita sem um seguro viagem. Para se ter ideia, uma simples consulta médica em Cusco pode custar até 150 dólares (R$ 400,00), sem contar o risco das atividades ao ar livre. Não vacile!

O Real Seguro é um comparados de preços, simule aqui: Seguro Viagem

Veja também: Seguro viagem para mochileiros

Em uma das portas da cidade

Em uma das portas da cidade

 

E você, está organizando uma viagem para Machu Picchu? Leia todos os posts:

Machu Picchu: saiba como chegar à cidade dos Incas

Onde fica Machu Picchu e qual a melhor época?

Águas Calientes, Peru: base para ir a Machu Picchu

 

Zona Agrícola de Machu Picchu

Zona Agrícola de Machu Picchu

 

Tem algo a acrescentar ou ficou com alguma dúvida sobre Machu Picchu? Escreva nos comentários! 🙂

 



Rafael Kosoniscs tem 33 anos, é paulista, publicitário, guia de turismo e estudante de jornalismo. É viciado em viagens de mochilão — seja em cidades ou em meio à natureza. Tem o montanhismo como paixão, sonha em dar a volta ao mundo e escrever um livro.


5 comentários em “Machu Picchu dos Incas, dos peruanos, de todos nós

  1. Silvana

    Ola Rafael
    Estou indo pela primeira vez ao Peru.
    Você tem alguma informação sobre câmbio? Sabe se é possível trocar o Real ou se preciso levar Dolar?

    Responder

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