Travessia da Serra Fina: um trekking de gente grande

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Ouço falar da Serra Fina desde que entrei para o mundo outdoor. É um dos clássicos circuitos de trekking do Brasil, sendo considerado um dos mais bonitos. A fama é justa. A travessia é difícil, mas não é a mais intensa do país — como dizem por aí. Exige sim, experiência na atividade, além de um considerável condicionamento físico. E não é, definitivamente, um destino para iniciantes.

 

Serra Fina – Por que pra lá?

Porque o lugar oferece a oportunidade de fazer uma jornada libertadora, de baixo custo e dignamente selvagem. A travessia da Serra Fina é um pouco diferente dos tradicionais circuitos de trekking do Brasil. O cenário é realmente inspirador. Lá, o trajeto é feito quase sempre pelas cristas das montanhas, sendo possível enxergar o quanto já caminhou e o quanto resta percorrer. É um trekking que dá orgulho de fazer. É intenso e muito bonito.

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Travessia da Serra Fina – A famosa crista

Serra da Mantiqueira: o palco do trekking

A Serra da Mantiqueira pertence a Minas Gerais (60%), São Paulo (30%) e Rio de Janeiro (10%). É uma grande região, composta por diversas unidades de conservação. A Serra Fina fica no meio dos três estados, num grande desnível topográfico. E é lá que a brincadeira acontece.

 

Informações sobre a travessia da Serra Fina

Serra Fina: Grau de dificuldade

Não é moleza não. A travessia da Serra Fina é difícil pra dedéu. Esse trekking exige bastante esforço físico. A travessia é puxada, porque em todos os dias têm grandes subidas. A navegação não é das mais simples, mesmo que alguns trechos sejam autoguiados.

 

Serra Fina: Extensão e percurso

Embora o trekking tenha apenas 30 km de extensão, o percurso é feito geralmente em 4 dias (3 noites). Não é uma aventura de final de semana.

Há quem faça a travessia em menos dias, mas o grau de exigência é altíssimo, além de não ser bem proveitoso. Não consigo imaginar fazer Serra Fina em 2 ou 3 dias e, ainda, curtir devidamente o lugar. Mas vai do objetivo de cada um.

Pode-se optar por dois caminhos:

Sentido normal – Início: Toca do Lobo (Passa Quatro – MG) – Término: Sitio do Pierre (Itamonte – MG)

Sentido ao contrário – Início: Sítio do Pierre (Itamonte – MG) – Término: Toca do Lobo (Passa Quatro – MG)

Optei pelo sentido normal, mas dizem que o modo inverso é mais puxado.

Qual você vai encarar?

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Travessia da Serra Fina

As atrações da Serra Fina

O trekking por si só já é a maior atração. São 4 dias em contato com a natureza, com paisagens incríveis, com acampamentos selvagens e tudo mais que uma travessia pode oferecer. Mas ainda assim, há outros lances bacanas para curtir na Serra Fina.

O primeiro atrativo, se assim podemos dizer, é vivido nas primeiras horas de trekking. Estou falando da tradicional crista, que em alguns pontos chega a ter menos de um metro de largura. A paisagem é fantástica, porque além de ser um cenário bonito pra caramba, já é possível avistar o Pico do Capim Amarelo (2.570 m), que é a meta para ser atingida no primeiro dia de travessia, além de ser um dos pontos mais altos da travessia, literalmente.

 

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Sobre viagens e montanhas

O trekking e seus sentidos

 

A cereja do bolo é a Pedra da Mina (2.798 m), considerada o 5º ponto mais alto do Brasil, sendo atingida já no segundo dia de trekking. Alcançar este lugar é uma das melhores sensações da travessia. Lá, há um livro para ser assinado, conhecido tradicionalmente como “Livro de Cume”, que serve para registrar a passagem e também para escrever as impressões, emoções, sentimentos…

O Pico dos 3 Estados (2.656 m) é outro gigante da Serra Fina, como o próprio nome diz, é o ponto da divisa dos 3 estados (Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro). Há um marco lá no topo identificando a tríplice divisa. Ele pode ser alcançado no terceiro ou quarto dia, dependendo do ritmo da travessia.

Há muitos outros pontos legais, que narro com detalhes no relato da travessia, como o Vale do Ruah, Cupim do Boi, campings selvagens, o Alto dos Ivos…

Travessia da Serra Fina - Paisagem2

Travessia da Serra Fina – Parte da Serra da Mantiqueira

A melhor época para fazer a Serra Fina

O inverno é a melhor opção. No Brasil, a temporada de montanha é entre abril e outubro. A travessia da Serra Fina deve ser feita neste período. No verão, que é um período chuvoso, não é viável fazer este trekking, evidentemente pela alta probabilidade de receber tempestades. Acredite, você não vai querer pegar uma tempestade no topo da Pedra da Mina.

 

Quem pode fazer a travessia da Serra Fina?

Serra Fina é difícil, mas não é o terror. Qualquer pessoa pode fazê-la, desde que esteja em boas condições de saúde e habituada com travessias e acampamentos. Sedentários devem evitar, porque é um trekking que exige muito condicionamento físico. Ter experiência na atividade é igualmente importante. Iniciantes devem evitá-la.

 

Serra Fina, com ou sem guia?

Vai depender muito da experiência do trilheiro. O primeiro dia é praticamente autoguiado, sem grandes dificuldades de navegação. O maior problema da Travessia da Serra Fina é que constantemente ela é dominada por neblina, o que dificulta bastante em determinados pontos. Fora isso, há trechos de capim alto, complicando ainda mais a vida do aventureiro.

A dica é: se possuir GPS e faro de trilha, dá para ir sem guia. Há muitos totens no caminho.

Caso não tenha tanto experiência, contrate um profissional e garanta sua segurança. Nunca faça o trekking da Serra Fina sozinho.

Há diversas empresas que constantemente organizam este trekking, além de guias credenciados. Seguem alguns que conheço:

Gente de Montanha

Sol de Indiada

Freddy Duclerc

Travessia da Serra Fina - Pedra da Mina

Travessia da Serra Fina – Pedra da Mina ao fundo

O que levar para a travessia da Serra Fina?

Antes de fazer o mochilão para Serra Fina, lembre-se: você terá que levar tudo nas costas. Há muitas subidas e toda a carga deve ser devidamente planejada. Leve somente o essencial, mas não negligencie o frio que faz por lá. Leve roupas apropriadas.

A sua carga deverá ser dividida em quarto categorias:

1º Equipamento de trekking
2º Equipamento de camping
3º Comida
4º Água

Esta lista poderá diminuir ou aumentar conforme estilo e gosto de cada pessoa. Vou colocar aqui o que eu considero absolutamente necessário, ok?

 

Equipamentos de trekking

Vestuário

– Roupas íntimas – suficiente para os dias 4 planejados (3 noites)

– 1 segunda pele completa, underwear calça e blusa

– 2 pares de meias próprias de trekking

– 2 ou 3 camisetas de trekking

– 1 ou 2 calças táticas (calça que vira bermuda)

– 1 calça de fleece para dormir

– 1 par de botas

– 1 corta vento

– 1 fleece para dormir

– 1 anorak (impermeável)

– 1 casaco de polartec 200

– Touca

– Luvas de fleece

 

Equipamentos

– Mochila cargueira entre 55 e 75 litros

– Bastâo de trekking (seus joelhos vão agradecer)

– Camelbak de 3 litros

– Lanterna ou headlamp

– 1 par de pilhas

– Canivete

– Sacos plásticos (para lixo e roupas sujas)

– GPS

– Kit primeiros socorros (curativos, remédios (dor/febre, estômago e de uso pessoal))

– Hidrosteril/clorin

 

Equipamentos de camping

– Barraca

– Isolante térmico

– Saco de dormir com no mínimo 0ºC de conforto

– Liner (Thermolite)

– Fogareiro a gás

– Gás Tek Butano / Propano

– Panelas/Talheres de camping

– Pequena esponja para lavar louça e pedaço de sabão em pedra (biodegradável)

 

Comida

Há diversos tipos de alimentações para camping. Pode optar por comida desidratada (liofilizada), comida pronta (do estilo Vapza e Alimentação), além de outras opções.

Dica: Para economizar água, opte por comida semi-pronta.

Fora as refeições, é essencial levar outros alimentos que contenham carboidrato, proteína e açúcar.

 

Água

Ao contrário de muitas travessias que encontramos Brasil afora, a água é um pouca escassa na Serra Fina. É importante o trilheiro se planejar de forma correta sobre esse item tão essencial.

Há 5 pontos de água na Serra Fina:

1º ponto – Toca do Lobo – Início da trilha – 1º Dia

2º ponto – Quartzito – 1º Dia

3º ponto – Cachoeira Vermelha / Rio Claro – 2º Dia

4º ponto– Vale do Ruah – 3º Dia

5º ponto – No final da travessia, já próximo do Sítio do Pierre – 4º Dia

Observação: Eu levei um camelbak de 3 litros e foi suficiente, mas é claro que depende do consumo de cada um. Observei trilheiros levando 5 litros, outros 4…

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Travessia da Serra Fina – Ascensão da Pedra da Mina

Como chegar na Serra Fina

Ida

Destino: Passa Quatro

A travessia da Serra Fina, sendo feita de forma tradicional, tem início em Passa Quatro. Há ônibus direto de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Simule aqui pela ClickBus

Resgate

O início da travessia da Serra Fina não começa exatamente do centro de Passa Quatro, por isso é necessário contratar um resgate, ou seja, pagar para alguém levá-lo (a) até o início da trilha – e também para buscá-lo (a) no final do trekking.

Contato 1: Antônio

(35) 9119.1373

Contato 2: Edinho

(35) 99963.4108 – Vivo | (35) 99109.2022 – Tim | (35) 3371.1660 – Residencial

Custo aproximado: R$ 35,00 (por pessoa) – Ida e Volta

Obs: Pode parecer uma observação bizarra, mas o Edinho é meio “perdido”. Sabendo disso, procure ligar várias vezes, lembre-o constantemente de ir buscá-lo na rodoviária. Se puder, ligue 1 dia antes de iniciar a travessia.

Contato 3: Manoel

(35) 99122.1227 – TIM | manoel_uchoas@hotmail.co.uk

 

Retorno

Pode-se escolher voltar por Passa Quatro ou Cruzeiro. Esta última opção é mais vantajosa para quem for retornar a São Paulo, porque tem mais horários disponíveis.

Ônibus – Passa quatro x Cruzeiro – Aproximadamente R$ 5,00 (Rodoviária de Passa Quatro)

Ônibus – Passa Quatro x São Paulo | Rio de Janeiro | Minas Gerais Simule aqui pela ClickBus

Ônibus Cruzeiro x São Paulo Simule aqui pela ClickBus

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Travessia da Serra Fina – Um dos nasceres do sol

Custo aproximado da Travessia Serra Fina

Ônibus para Passa Quatro: +/- R$ 47,00

Ônibus Volta: +/- R$ 45,00

Regate: +/- R$ 35,00

Alimentação: +/- R$ 50,00 (alimentação de camping)

Valor total aproximado: R$ 180,00 (sem guia)

 

Relato da travessia da Serra Fina

O trekking foi realizado nos dias 4, 5, 6 e 7 de junho de 2015.

O grupo: Rafael Kosoniscs (Seu Mochilão), Gisely Bohrer (A Montanhista), Keisuke Kira (Blog Outdoor), Fabio Morimoto, Erika Kock, Analu Shiota, Camila Godoi e Anderson de Araujo.

 

Dia 1 – Da Toca do Lobo ao camping improvisado no bambuzal

Partimos às 23h de São Paulo com destino a Passa Quatro. Chegamos à cidadezinha mineira por volta das 03h30. Encontramos nosso resgate, Edinho, e depois de muita conversa e enrolação, partimos para o início da trilha. Chegamos lá por volta das 04h30 e às 5h iniciamos o trekking. Ainda estava escuro, mato molhado e frio da madrugada comendo solto. Headlamps ligadas.

Iniciamos a travessia da Serra Fina em meio à madrugada. Só enxergávamos as luzes das lanternas. Em pouco tempo chegamos à Toca do Lobo, onde define o início da travessia Serra Fina. Seguimos morro acima.

O dia foi se mostrando na medida em quem subíamos, e do alto da montanha pegamos um incrível nascer do sol. As nuvens chamavam a atenção, formando uma paisagem bem exótica. Foi um belo cartão de visita.

Presenciamos a primeira desistência logo cedo, mas não era ninguém do nosso grupo. Encontramos uma garota deitada sobre o isolante térmico, enrolada no saco de dormir e totalmente tranquila em meio ao morro. Achei a atitude engraçada, porque mal havia começado o trekking e já tinha alguém jogando a toalha, mas ainda assim, achei um gesto bastante digno, porque é muito melhor desistir no início do que dar trabalho no meio da travessia. Independente dos motivos da garota, foi um ato de muita consciência.

Não demorou muito e passamos pela famosa crista, um dos cartões-postais da travessia da Serra Fina. Paisagem incrível. Alguns passaram chutados, mas preferi ficar por ali alguns minutos para tirar fotos, afinal de contas, não é todo dia que podemos vislumbrar uma paisagem daquelas. Dali já era possível avistar o Capim Amarelo, alvo a ser atingido no primeiro dia.

A travessia estava bastante cheia, e mesmo eu não tendo feito este trekking antes, recebi a informação que aquele fluxo era algo incomum para o lugar. Só do alto de uma das montanhas consegui contar 45 pessoas e tenho certeza que havia mais de 150 pessoas em toda a travessia. Não tenho dúvidas.

Por termos saído ligeiramente cedo, tínhamos certa vantagem e sabíamos que os campings seriam concorridos. Muita gente passaria aperto para encontrar local para dormir. Nas paradas que fazíamos para descansar, ouvíamos até alguns comentários sobre a possibilidade de bivacar. E para quem não sabe, bivacar é dormir no relento, usando apenas o isolante térmico e o saco de dormir. Não fizemos da travessia Serra Fina uma competição, mas também não marcamos muita bobeira. O medo de não achar lugar para acampar estava fadado até o final do trekking.

Depois de muitas subidas e alguns “falsos cumes”, chegamos ao Capim Amarelo. Já era mais ou menos 12h. O lugar estava lotado e sem condições de receber mais pessoas. Percebi muita gente decepcionada por não encontrar vaga naquele local, que simbolizava o final do primeiro dia. A caminhada tinha que continuar e o desafio era encontrar um ponto de acampamento. Descemos o Capim Amarelo.

A descida do Capim Amarelo é um dos piores trechos da travessia da Serra Fina, o chão é completamente escorregadio, cheio de raízes e feito em meio ao maroto bambuzal.

Neste momento do trekking já recebíamos a companhia de vários grupos, o que dificultava muito para conseguir um local de acampamento. Fábio e Anderson dispararam à procura de um melhor lugar ou de qualquer espaço que coubessem nossas barracas. E encontraram. Nosso camping aconteceu em meio ao bambuzal, antes do tradicional Camping Avançado, lugar que julgamos inviável pelo alto congestionamento. O primeiro dia estava garantido e encerramos a jornada às 14h. Ótimo horário.

 

Dia 2 – Do bambuzal à Pedra da Mina

A meta do segundo dia era acampar na Pedra da Mina. Acordamos cedo, muito cedo. Abrimos os olhos às 3h30 e 4h30 iniciamos a caminhada. Cruzamos o Camping Avançado e passamos por algumas barracas. Nos perdemos e nos encontramos. O mato alto dificultava nossa navegação, além do mais, ainda estávamos na escuridão da madrugada. Mas seguíamos bem. O dia amanheceu, mais uma vez, enquanto caminhávamos.

Já com a luz do dia, cruzamos outro ponto de acampamento, chamado de Maracanã. Nos deparamos com uma imensidão de barracas, algumas pessoas já estavam do lado de fora, mas a maioria ainda se encontrava no quinto sono. Sair da barraca de manhã não é tarefa fácil, ainda mais em dias de frio.

O trekking seguiu tranquilo, o congestionamento que rolou no primeiro dia não se repetiu no segundo, estávamos tranquilos e à frente da grande massa. Este dia se apresentava menos puxado que o primeiro, mas ainda assim cansava bastante. E mesmo com o sol rachando em nossas cabeças, o vento gelado exigia o uso do anorak e isso me incomodava, porque mesmo suando era impossível remover qualquer camada de roupa.

Inicialmente topei fazer a Serra Fina porque estava no embalo forte de montanhas, tinha acabado de fazer Petrópolis – Teresópolis e Marins, mas, mais do que tudo, a vontade de fazer esta travessia já estava martelando em minha cabeça há um bom tempo. E foi com esse espírito, de realizar esse trekking, unindo com a vontade de várias pessoas, que a trip aconteceu. Bem, e o resto vocês já estão sabendo.

Depois de algumas horas de subidas e descidas, em meio ao bambuzal e capim alto, chegamos à Cachoeira Vermelha, um dos pontos de coleta de água. Decidimos fazer uma pausa por ali. Uns almoçaram, outros dormiram. Eu fiquei lutando contra o frio, que judiava bastante.

Camelbaks abastecidos. Retomamos a caminhada por volta das 12h, o destino era um só: a Pedra da Mina. Nos deparamos, logo de cara, com um monumento humano jamais visto, por um momento achei que fosse um sapo, depois imaginei que fosse um totem, mas era mesmo uma baita de uma bosta. Apelidamos aquela “coisa” de Sapo Bosta, que acabou sendo motivo de graça até o final da travessia.

Depois do choque, cruzamos um pequeno riozinho, chamado de Rio Claro, que está bem próximo da Cachoeira Vermelha. Dizem que este rio possui uma melhor qualidade de água. Vale lembrar que o clorin deve ser utilizado em qualquer circunstância, e na Serra Fina este item é indispensável.

Chegamos ao pé da grande montanha. De frente para ela está o Morro do Tartarugão, que algumas pessoas ousam subir antes de encarar a ascensão da Pedra da Mina. Essa possibilidade nem passou pela minha cabeça, meu objetivo estava bem definido, que era encontrar um local para acampar no topo. E foi lá que o acampamento aconteceu. Encontramos um local um pouco abaixo do topo, mas completamente perfeito. Protegidos do vento e com uma visão privilegiada. Ótimo lugar.

A subida da Pedra da Mina foi mais rápida do que imaginava. De longe o terror parecia ser muito maior, mas a partir do momento que comecei a subir, percebi que a parada não era tão sinistra quanto pintava ser.

Acampamento montado, almoço feito, banho de gato tomado. Tudo beleza. Ainda era cedo, o fluxo de pessoas começava a aumentar na Pedra da Mina. Sai com Gisely para tirar umas fotos, a paisagem estava bem bonita, sol maneiro e céu limpo. Decidimos subir para a parte mais alta, porque queríamos assinar o livro de cume, que é uma das tradições de quem chega ao topo. Foi então que avistamos Maximo Kausch, um dos mais renomados montanhistas do mundo na atualidade. O que mais chamou a atenção, além dele estar na Serra Fina, foi a humildade do cara, que já tinha demonstrado isso em outros eventos que participamos juntos, mas na montanha a história é outra e, mesmo assim, conversou normal com a gente. É um exemplo a ser seguido, tanto no esporte quanto na maneira de tratar as pessoas. Foi um momento muito bacana da travessia da Serra Fina.

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Rafael Kosoniscs, Gisely Bohrer e Maximo Kausch

Assinamos o livro de cume e descemos para descansar um pouco, afinal de contas, estávamos em pé desde cedão. Dormimos rápido.

 

Dia 3 – Da Pedra da Mina ao Cupim do Boi

Combinamos de acordar novamente às 3h da manhã. Queríamos repetir a receita de sucesso dos primeiros dias, mas foi impossível.

De madrugada, notamos um vento muito forte e um frio avassalador. Era impraticável sair da barraca naquela situação. Ficamos alertas até o dia amanhecer. Quando finalmente enxergamos a situação, percebemos o drama que iríamos enfrentar, porque o tempo estava péssimo. Justamente no topo da Pedra da Mina.

Criei coragem e abri a barraca, foi quando notei a mochila da Gisely congelada, totalmente coberta de cascas de gelo. O tempo estava totalmente cinza e o vento comia solto do lado de fora. Ensaiamos um pouco para levantar, estávamos totalmente desencorajados de encarar aquela situação.

Keisuke foi o primeiro a sair da barraca, o que nos motivou a fazer o mesmo. Em pouco tempo estávamos prontos para iniciar a descida da Pedra da Mina. E foi aí que o bicho pegou.

De início, pegamos um vento incrivelmente forte, que nos empurrava montanha abaixo. Foi complicado. Fora isso, o vento estava tão gelado que nossas mãos doíam. Usar luva foi a solução para alguns, mas tirar a mochila das costas para pegá-las era complicado. Não dava. Tive, ainda, que prender as fivelas da mochila, porque elas estavam batendo em minha cara, que pareciam tapas de tão fortes.

Qualquer pessoa com o mínimo de noção em montanha diria que aquele não era o momento ideal para fazer a descida. Acontece que, corríamos o risco de ficar ali o dia todo, mas não tínhamos tempo disponível. Arriscamos.

Em determinado momento da descida, Camila olhou para mim e disse:

– Rafa, sua barba está cheia de cristalzinho.

Infelizmente não consegui registrar o momento. Era impossível pegar a máquina naquela situação. Bem, por ter formado gelo, é certo dizer que a temperatura ficou abaixo de zero. E o vento, que estava absolutamente forte, fazia a temperatura diminuir consideravelmente.

Cabe dizer agora que só existe um trecho que permite desistir da travessia da Serra Fina, era exatamente onde estávamos, mas por incrível que pareça, essa ideia nem passou pelas nossas cabeça. A trilha para abortar o trekking se chama Paiolinho, que fica ao lado esquerdo para quem está à frente do Vale do Ruah. Há totens sinalizando o caminho, mas vale reforçar que o GPS é item indispensável na travessia Serra Fina, principalmente se for feito de forma independente.

Chegamos vivos ao Vale do Ruah, outro ponto de acampamento, que dizem ser a geladeira da Serra Fina. Por ali já foi registrado temperaturas muito abaixo de zero. O lugar é sinistro e ao mesmo tempo muito bonito. É formado por capim alto, charcos e tufos de raízes. Lugar chato de andar, além disso, é um local muito fácil para se perder, ainda mais cercado por neblina. Lá, consegui entender o por que da fama de local frio. Não demorou muito e chegamos ao Rio Verde, que é considerado o último ponto de água da travessia. Na real, existe até outro ponto de água, mas já é muito próximo ao final da travessia, que nem deve ser levado tanto em consideração.

O trekking ganhou novo ritmo depois do Vale do Ruah, andamos por um bom tempo pelas cristas, mas o tempo fechado fez com que não desfrutássemos muito da paisagem, mas não podíamos reclamar, estava tudo perfeito. Neste trecho do trekking encontramos Rannier e Suelen, um casal de Juiz de Fora, que então passou a andar com a gente. E, mais uma vez, tivemos que lidar com bambuzal, que naquele momento já tinha se tornado um dos ícones da travessia da Serra Fina.

Depois de muito sobe e desce, chegamos ao Cupim do Boi. Acampamos no final dele, bem na base do Pico dos Três Estados. Tínhamos a opção de prosseguir o trekking, mas optamos ficar por ali e pegar o nascer do sol no topo da montanha. Além disso, com a muvuca da trilha, tínhamos que aproveitar o camping encontrado. Ficamos em um ótimo local.

 

Dia 4 – Do Cupim do Boi ao Sítio do Pierre

Último dia de trip. Acordamos mais uma vez às 3h30 e às 5h já estávamos prontos. Destino inicial: Pico dos Três Estados. Headlamps ligadas e pé na trilha. O trekking começou pra valer e, mesmo sendo de madrugada, conseguíamos observar o contorno da montanha. A lua estava incrível. O ritmo era bom e não fizemos nenhuma pausa até alcançar o topo da bagaça. Chegamos no Pico dos Três Estados minutos antes do nascer do sol. Que sorte! Observei muitas barracas por ali e deu para perceber que foi uma briga de gente grande para conseguir espaço naquele lugar. Ficamos à espreita para ver o sol emergir em meio às montanhas. Cena linda. As nuvens disputavam atenção, porque elas pareciam um tapete de algodão. Paisagem espetacular. A briga pela foto perfeita existia, mas o ambiente era incrível, digno dos melhores nasceres do sol que presenciei nos últimos tempos.

Lá, encontramos o Tiago Borges, do blog Fé no Pé, que também faz parte da Rede de Blogs Outdoor (RBO). Aproveitamos e tiramos uma foto de todos juntos.

Em seguida, tomamos o caminho da roça. O próximo alvo era o Pico dos Bandeirantes, que passamos tranquilos, mesmo encarando alguns trechos de escalaminhadas, que chega a ser gostoso de fazer. Depois disso, o trekking foi morro abaixo, até encontrarmos nosso velho e conhecido amigo: o bambuzal. Já íntimos, cruzamos por ele e atingimos a base do Alto dos Ivos. Subimos a montanha sem alarde e já pensando no final da trip, porque esse trecho é considerado o último desafio da travessia. Fizemos uma grande pausa lá no topo. Mais fotos, mais bolachas, mais goles d’água.

Depois disso, foram aproximadamente 2h30 de pura descida, sem muita pausa para descanso. Atingimos o último ponto de água, onde passamos praticamente batidos. Alguns encheram o camelbak. Chegamos até um sítio, continuamos descendo e, por fim, encontramos a rodovia, que sinalizava o final da travessia Serra Fina. O resgate já estava nos esperando e, em poucos minutos, já estávamos dentro da van, contentes por termos desfrutado um dos trekkings mais bonitos – e difíceis – do nosso país.

Travessia da Serra Fina 19

Travessia da Serra Fina



Rafael Kosoniscs tem 32 anos, é paulista, publicitário, guia de turismo, blogueiro e estudante de jornalismo. É viciado em viagens de mochilão — seja em cidades ou em meio à natureza. Tem o montanhismo como paixão, sonha em dar a volta ao mundo e escrever um livro.


50 comentários em “Travessia da Serra Fina: um trekking de gente grande

  1. Isa Vichi

    Rafa! Que coisa mais linda!
    Pensa numa pessoa que ficou com inveja desse trekking… rsr
    Cara, que relato bacana, gostei demais. Já decidi: vou fazer! Sabe-se lá quando, mas vou fazer!
    Com certeza absoluta meu maior adversário vai ser o frio, o danado sempre me detona, maltrata mesmo. Mas a gente dá um jeito!
    Obrigada pela dica e continue nos motivando sempre!
    Bjo da Isa – Lido Lendo.

    Reply
  2. terezinha tessaro

    Fiz a travessia em 2013, estávamos em um grupo de 6 pessoas e embalados pela temporada de montanhas estávamos com o condicionamento físico excelente e concluímos em dois dias e meio, agora quero retornar com mais tempo.O relato atiçou ainda mais a vontade de encarar novamente. obrigado Rafael foi um belo relato.

    Reply
    1. Rafael Kosoniscs Post author

      Show, Terezinha. Ir com mais tempo é legal para poder curtir com mais calma, mas te admiro por ter feito em tão pouco tempo. Parabéns. Já quero voltar para Serra Fina também rs…

      Reply
  3. ROBERTO RODRIGUES

    Parabéns pelo relato. Bem detalhado e com muitas dicas.É assim que eu gosto. Fiquei bem motivado para fazer esta trilha. Mas antes disso, estou planejando fazer trilha na Chapada Diamantina BA. Se vc já fez, quero te pedir para postar algumas dicas. Valeu. Um abraço.

    Reply
  4. Jonas Valêncio

    Caramba! Sensacional essa travessia!!!
    Tem bastante tempo que não faço trilha, desde o novembro do ano passado (2014).
    já fiz trilha pesada, como acampar nos Castelos do Açu, mas foi em 2010.
    Fiquei doido prá fazer essa travessia…
    Parabéns pelo blog Muito bom mesmo! Vou me basear em seus relatos e suas dicas foi de grande valia.
    Valeu mano! Abraços!

    Reply
  5. Wagner Freitas

    Fala, Rafael.
    Relato irado, cara! Fiz a Petro x Tere há três semanas e o pessoal não parava de comentar sobre a Serra Fina. Bateu um mega interesse em fazer.

    Parabéns pelo relato. Ficou excelente. Grande abraço e me chama pras próximas.

    Reply
  6. Gabriel Ribeiro

    Fala Rafael
    Fantástico esse trekking , parabéns.
    Sou iniciante mais estou empolgado para fazer , no post você recomenda evitar , mesmo que acompanhado ainda sim nao e recomendado?

    Reply
    1. Rafael Kosoniscs Post author

      Olá, Gabriel. Se é iniciante, certamente deve desconsiderar em fazer sozinho. Eu me refiro que mesmo acompanhado a pessoa pode sofrer bastante. Ir acompanhado não é garantia em completar o trekking, porque uma pessoa que nunca fez trekking vai sofrer sérios problemas. Como disse também, não é um trekking para iniciantes. Mas vai de cada um. É isso.

      Reply
      1. Gabriel Ribeiro

        Rafael, obrigado pelo comentario, irei acompanhado de pessoas experientes, mais irei avaliar, portanto qual indicaria pra começo?

  7. Italo Muryllo Tosta Brito

    Cara, muito show este TREKKING. Parabéns. Estou me preparando para o Vale do Pati – Chapada Diamantina…

    Reply
  8. Odete fernandes

    Rafa, me interesse pelo Monte Roraima. Tenho 66 anos e já percorri (2013 e 2015) por duas vezes o caminho de Santiago de Compostela saindo de Saint Jean Pied de Port (33 dias). Pergunto: será que consigo subir o Monte Roraima?? Estou bem de saúde.

    Reply
  9. Ary Carlos Cardoso Neto

    A trilha é show de bola mesmo, já fiz 2 vezes. Mas como foi dito não é para iniciantes, tem que levar bastante peso por conta de não ter muitos pontos de água no caminho e de ser demorada. Não aconselho a usar o tal Edinho não, caímos na besteira de contratar o cara e ele prestou um péssimo serviço. primeiro que ele só tem uma toyota caindo aos pedaços para te levar no início da trilha mas não pode pegar na volta porque se a policia rodoviária parar ele vai direto para o ferro velho então ele contrata os amigos que tem kombi para buscar e fica só monitorando só que na volta tinha umas 30 pessoas todas esperando o cara aparecer para fazer o resgate, ou seja, todo mundo que liga para ele o cara aceita o serviço mesmo sabendo que não tem como dar conta de levar todo mundo. começamos tarde porque ele levou um grupo e depois demorou muito para voltar e ainda queria esperar outra kombi. Tivemos que ficar atras dele insistindo para ele sair porque já era tarde e a gente não saia da casa dele e o cara só no telefone. na volta não resgatou ninguém e ainda teve a cara de pau de aparecer lá 2 vezes em um ford ecosport que não cabia ninguém, dos 30 quase nenhum foi resgatado por ele; os caras que estavam comigo foram na casa dele buscar os carros e pegaram a gente lá na saída. um absurdo,!! pena que o nosso amigo pagou porque a maioria falou que não pagaria nada pra ele. Não recomendo mesmo esse cara.

    Reply
  10. wagner Vanderstappen

    Estamos marcando para ir na 1 semana de outubro, Rafael ao ler seus relatos fiquei mais empolgado ainda, mas um pouco apreensivo com frio, outubro o frio ainda castiga como no seu relato??
    Aqui em Ilhabela (São Paulo – Litoral Norte) tem um Montanha chamada Pico de São Sebastião, altitude de 1479, 6h de subida pesada (sem pontos de água), levar no minimo 5 litros se for bate e volta e uns 7 se for dormir por la.
    Dependendo do tempo da para ver o envolto da Ilha toda e cidades como Caraguatatuba, São Sebastião e Ubatuba.
    Um lugar para vc conhecer Rafael

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    1. Rafael Kosoniscs Post author

      Bacana, Wagner. Vou procurar fazer esse trekking de Ilhabella, valeu pela dica. Sobre a Serra Fina, deve ser menos frio em outubro, mas mesmo assim você deve ir preparado para ele. Lembrando que, essa data escolhida por você, tem grande chances de chover. Boa sorte. Um abraço

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  11. Olívia Cristina Gualberto

    Olá Rafael!
    Adorei o relato e as dicas. Parabéns! Acabei de voltar da Travessia PetrópolisXTeresópolis e estou louca pra fazer a Serra Fina. Acho que a exigência física é a mesma né? Sabe de grupo que vai sair ainda este ano?

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  12. José Soares

    Caraca brother, que show. Estou a pouco mais de um ano nesse “mundo” e seu relato me fez ter uma vontade enorme de curtir esse trekking. Parabéns pelo relato e por completar tão bem essa travessia. Desculpa a curiosidade mas qual barraca vc usou? Abraço

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  13. adrian de siqueira hilbert

    Belo relato, parabens!
    Me tire uma duvida porfavor. Tenho bastante experiência em à travessias sei utilizar mapas e bússola. Mas, nunca fiz a travessia da serra fina e não tenho GPS, dá para fazer tranquilamente?

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    1. Rafael Kosoniscs Post author

      Adrian, é difícil responder se você conseguirá ou não fazer a travessia tranquilamente. A Serra Fina é quase toda autoguiada, mas alguns trechos são um pouco complicados e vai muito da experiência e do faro de trilha que a pessoa possui. Se optar em ir em época de feriado, com certeza irá encontrar inúmeras pessoas na trilha e isso facilitará a sua navegação. Um abraço!!!

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  14. edson

    Daew Rafael Kosoniscs… te mandei uma msg no face, e vai por aqui tb
    Essa tua jaquena de pluma da decatlhon é boa? é quente, leve, o tecido da uma impressão de qualidade ?

    Qual tua opinião sobre ela?
    Abraços
    otimo post

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    1. Rafael Kosoniscs Post author

      Fala Edson, beleza? Então, pra nível Brasil ela atende bem. Mas não pode-se esperar muito dela, lembrando que a pena de ganso faz parte de uma camada intermediária, então é bom sempre contar com um anorak pra garantir o efeito dela quando estiver realmente frio. Ela é bem leve e gosto da qualidade. É isso! Abraço!

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  15. Diego CAVALHERI

    Olá Rafael, tudo bem ?

    primeiramente parabéns pelo bost e pelo Blog, me estimulo e muito a fazer essa trip. Contudo, tenho algumas dúvidas:

    1º Com relação a trilha, você encontrou o Trekking para baixar no gps em algum lugar ? Qual a possibilidade de fazer ela sem gps e fora de temporada ?
    2º A minha ideia pra esse mochilão é não gastar com transporte, ou, pelo menos, só em casos de emergência. Você acha viável ir de carona até o início da trilha, em Passa Quatro ? Você, por um acaso, tem as coordenadas desse acesso ?
    3º Estou planejando esse mochilão sozinho, já tenho experiência com trilhas e afins, e pude perceber, pelo seu texto, que o local é bem movimentado, mas você acha muito arriscado ir solo nessa loucura ?

    Ficarei muito agradecido se puder responder minhas perguntas e mais uma vez parabéns pelo feito.

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    1. Rafael Kosoniscs Post author

      Olá, Diego. O tracklog da Serra Fina pode ser encontrado no wikiloc. Sobre a carona, não sei te dizer. Vai depender da sua sorte, mas o mais comum é pegar resgate até o início da trilha, até porque é uma maneira de usufruir da natureza e ainda favorecer o turismo local. Todos têm que sair ganhando, certo? Sobre ir solo, também é algo bastante particular. Tem conhecimento de navegação, faro de trilha e experiência para ficar por conta própria? Um abraço!

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  16. Vane

    Olá, Rafa!!
    Parabéns pelo seu post!! Estou muito a fim de fazer… Já tenho alguns marcados para esse ano, mas já estou contando com Serra Fina ano que vem.
    Sei que você não é consultor, mas não achei nenhum comentário que me sanasse uma única dúvida de vestiário. Quero comprar calças apropriadas para meus filhos fazerem a Travessia Petrópolis x Teresópolis e estou na dúvida do material… Só explicam para que serve cada material,mas não explicam na prática. A calça Climatic Trilhas & Rumos parece ser de ótimo material, mas não vai reter o suor se usa-la para fazer a trilha durante o dia? Você me indicaria alguma?

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    1. Rafael Kosoniscs Post author

      Vane, a calça tem que ser respirável, aquelas próprias de trekking. É fácil de encontrar em lojas apropriadas. Sobre a calça da Trilhas e Rumos eu não conheço. Tente comprar calças táticas (aquelas que viram bermudas). Será uma boa escolha. Um abraço!

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  17. Pablo Iacovazzo

    Fiz a Serra Fina em 2014, e foi uma experiência transformadora na minha vida. Desde então, não paro de sonhar com um retorno. Nessa temporada ainda não vai ser possível, mas vou me empenhar ao máximo para conseguir na próxima!

    Ah, sugiro incluir na lista de itens “básicos” para a travessia um pacote de lenços umedecidos. Como não rola banho durante a travessia, poder tomar um “banho de gato” e dormir limpo ao fim de cada dia é extremamente reconfortante. Além de dar aquela moral para os companheiros da trilha, tirando aquela nhaca de suvaqueira destruidora de amizades! 😀

    Um grande abraço, galera. E parabéns ao Rafael pelo site, que é muito f***!

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  18. Glauco Ribeiro

    Excelente relato, Rafael, parabéns! Ainda sou iniciante em trilhas (fiz Serra dos Órgãos 2 vezes e outras menores),mas estou me organizando com ansiedade pra fazer a Serra Fina no próximo ano. E a sua experiência dá ainda mais inspiração, cara. Se precisar de algumas dicas, posso entrar em contato com você? Um abraço.

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  19. Renato José chaves

    Boa tarde Rafael eu fiz essa travessia também neste dia inclusive eu estou na foto deste seu relato na subida do Capim Amarelo eu sou o cara que está de camisa azul e chapéu meu nome é Renato no relato dos pontos de água você cometeu um engano. O quartzito não é antes da Pedra da Mina e sim antes do Capim Amarelo é no 1º dia de caminhada. A Cachoeira Vermelha é que fica antes de subir a Pedra da Mina na verdade então são 5 pontos de água: 1º Toca do Lobo, 2º Quartzito, 3º Cachoeira Vermelha, e mais a frente outro ponto de água atravessando o riacho 4º Vale do Ruah, 5º Sítio do Pierre. Um grande abraço

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  20. Antonio Carlos Boubée

    Rafael, sou louco pra fazer a Serra Fina, já fiz muitas trilhas mas nunca fiz travessias, gostaria muito de ir este ano já estou com 59 anos e se não for agora não vou poder ir mais. Fui ao pico da Bandeira, Castelos do Açú e outras montanhas de minha região serrana (Petrópolis) e vizinha Teresópolis. Gostaria de sua opinião se acha que devo arriscar ou não em fazer esta travessia ou subir só Pico da Mina.

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    1. Rafael Kosoniscs Post author

      Olá, Antonio. Tudo beleza? Eu acho que se este é o seu objetivo, você deve ir sim. Mas te aconselho a ir com um guia da região e se preparar previamente para a travessia. Mas por favor, não desista de ir. Se prepare (consulte um médico e um educador físico se for preciso) e vá, afinal de contas 59 anos ainda é jovem, se fosse 89 pediria para você ficar em casa, mas não é o caso, bem longe disso.
      Desejo que dê tudo certo!
      Bons ventos!

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  21. Camila Ferreira Messias Lélis

    Eae Rafael, td na paz? Bacana seu relato, obgda pelas informações do Resgate!! Final de julho pretendemos, eu e namorado não fazer a travessia, fazer metade e descer pelo Paiolinho. Queria atualizar os pontos de água. Em algum relato li que teria ponto de agua após o Maracanã, num lugar chamado Dourado…é um brejo?? Ou é como vc disse, no primeiro dia tem agua no inicio da trilha e em quartizo, e depois só no final do segundo dia, na base da pedra da mina, em cachoeira vermelha e Rio Claro? Pq se não tiver agua no meio, ali em Dourado, de inicio temos que carregar bastante agua neh..
    Bem, vamos q vamos! Apaixonando-se pelo montanhismo. Abçs e valeu pelo relato

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